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09/07/2021 às 11h57min - Atualizada em 09/07/2021 às 11h57min

Desmatamento na floresta amazônica brasileira aumenta pelo 4º mês consecutivo

Cientistas temem que a destruição vá agravar os incêndios florestais em estações secas

CBC News
https://www.cbc.ca/news/science/deforestation-brazil-amazon-rainforest-rises-1.6096178
Imagem de Filipe Coimbra / Unsplash

O desmatamento na floresta tropical amazônica do Brasil aumentou pelo quarto mês consecutivo em junho, de acordo com dados preliminares do governo, em meio à preocupação de que a destruição e a seca irão agravar os incêndios florestais na estação seca que se aproxima.

 

O desmatamento na parte brasileira da Amazônia aumentou 1,8% em junho em comparação com um ano atrás, para 1.062 quilômetros quadrados, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - Inpe.

 

Nos primeiros seis meses do ano, o desmatamento na região aumentou 17%, com 3.610 quilômetros quadrados sendo desmatados, segundo o Inpe. Essa é uma área de mais de quatro vezes o tamanho da cidade de Nova York.

 

O desmatamento aumentou desde que o presidente de extrema direita Jair Bolsonaro assumiu o cargo em 2019, atraindo protestos internacionais de governos estrangeiros e do público. Bolsonaro pediu mineração e agricultura em áreas protegidas da Amazônia e enfraqueceu as agências de fiscalização ambiental, que ambientalistas e cientistas dizem ter resultado direto no aumento da destruição.

 

A assessoria de imprensa do Bolsonaro não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre suas políticas ambientais ou os números do desmatamento.

 

Cientistas dizem que a proteção da Amazônia é vital para conter as mudanças climáticas por causa da grande quantidade de gases do efeito estufa que a floresta absorve.

 

No mês passado, Bolsonaro implantou militares para proteger a região amazônica e proibiu amplamente a maioria dos incêndios ao ar livre, repetindo políticas promulgadas anualmente desde 2019 que não conseguiram reduzir o desmatamento ou incêndios.

 

Uma investigação da Reuters no início deste mês descobriu que Bolsonaro obstruiu o sistema de multas ambientais, um dos principais meios para proteger a floresta tropical e punir o desmatamento ilegal. Pelo menos 17.000 multas não foram cobradas, de acordo com documentos internos do governo.

 

Ameaça de incêndio iminente

 

Enquanto mais multas não pagas se acumulam, a destruição continua aumentando. O grupo de defesa Observatório do Clima disse em um comunicado que os dados preliminares indicam que os números anuais mais precisos do desmatamento estão a caminho de ultrapassar 10.000 quilômetros quadrados pelo terceiro ano consecutivo, um nível que antes de Bolsonaro, foi visto pela última vez em 2008.

 

Especialistas dizem que é um sinal preocupante, já que o Brasil se aproxima do auge de sua estação seca anual, com incêndios geralmente atingindo o pico em agosto e setembro.

 

Os madeireiros ilegais geralmente cortam árvores valiosas e, em seguida, especuladores e fazendeiros usam o fogo para limpar a terra em uma tentativa de aumentar seu valor para fins agrícolas.

 

Quase 5 mil quilômetros quadrados desmatados desde 2019 ainda não foram queimados, de acordo com uma análise do Woodwell Climate Research Center e do Amazon Environmental Research Institute (Ipam).

 

"Essas áreas são tinderboxes de combustível à espera de uma faísca", de acordo com a análise divulgada na semana passada.

 

“Muitas dessas áreas com alto consumo de combustível são adjacentes a florestas em pé, tornando-as locais privilegiados para que os incêndios saltem de áreas desmatadas para florestas remanescentes”.

 

Além disso, o Brasil está enfrentando uma seca severa, com a entrada de água em barragens hidrelétricas em uma baixa em 91 anos, de acordo com o Ministério de Minas e Energia.

 

A seca inclui muitas áreas ao longo do chamado "arco do desmatamento" no Brasil, onde a destruição é maior e os pesquisadores dizem que a seca provavelmente contribuirá para piores incêndios este ano.

 

A Colômbia, vizinha ao norte do Brasil, também está registrando uma crescente destruição da floresta. O ministro colombiano do meio ambiente disse na quarta-feira que o desmatamento em 2020 aumentou 8%, com 1.717 quilômetros quadrados destruídos.

 

 

Coautoria: Viktória Matos

 

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