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04/02/2021 às 14h36min - Atualizada em 04/02/2021 às 14h36min

Impacto Ambiental no Ártico: audiências sobre minas em terras indígenas em Nunavut são prorrogadas

Luana Saturnino
com informações de CBC News e Governo Canadense
Foto: Mike Beauregard


O prazo para discussão sobre a expansão de atividade mineradora dentro de territórios indígenas na província de Nunavut, extremo norte do Canadá, foi estendido. A Mesa de Avaliação e Impacto de Nunavut (Nunavut Impact Review Board - NIRB) teria até o fim da primeira semana de fevereiro para ser ouvida. No entanto, as audiências de impacto ambiental foram adiadas para o mês de março. A discussão oficial ocorre ao redor da expansão da mina Mary River, ao norte da Ilha Baffin. 

 

A decisão acontece após atrasos no cronograma sobre o projeto. Um encontro técnico de duas semanas de duração estaria previsto para acontecer entre Iqaluit e Lagoa Inlet. Mas até essa ação teve uma semana de atraso. A presidenta da NIRB Kaviq Kaluraq afirma que a extensão do prazo permite que o conselho reuna representantes das comunidades indígenas próximas. “O conselho está planejando realizar a sessão estendida em Iqaluit e planeja reunir até cinco representantes da comunidade que representam a aldeia, organização de caçadores, mulheres, jovens e idosos de cada uma das sete comunidades, incluindo representantes de Pond Inlet, todos juntos em um local”, afirma ela em anúncio oficial sobre as mudanças.

 

Atualmente a expansão mineradora proposta pela corporação Baffland Iron Mines é o maior projeto industrial ocorrendo em Nunavut. A empreitada que acontece justo no círculo Ártico tem como objetivo dobrar a produção de minério de ferro. A partir desse projeto, a exportação aumentaria para 12 milhões de toneladas de ferro, desembarcando de Porto Milne todos os anos. 

 

Se engana quem acha que isso não trará nenhum impacto ambiental e social por se tratar do Ártico e que esse território poderia ser o menos habitado por seres humanos no planeta. Cerca de 4 milhões de pessoas vivem em todo o Ártico, enquanto na parcela canadense são mais de 150.000 pessoas. 

 

Para que essa expansão industrial ocorra uma estrada de ferro terá que cortar o habitat de renas caribu e aumentar o transporte de água proveniente Porto Milne e adjacências. No entanto, essa porção aquática recebe no verão uma migração da maior população do mundo de baleias narval, conhecidas como os unicórnios do mar. O impacto ambiental está ligado diretamente a mudanças no ecossistema e na vida de povos indígenas. A longo prazo toda mudança na biodiversidade local afetaria populações de outras partes do globo, além de maiores riscos de poluição dos solos e das águas. 

 

A expansão das minas Mary River foi proposta pela primeira vez em 2014 e vem passando por mudanças e negociações desde então. As avaliações de impacto ambiental tem acontecido ao longo de dois anos, passando por múltiplos adiamentos.

 

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