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05/02/2021 às 21h02min - Atualizada em 05/02/2021 às 21h02min

Veículos de mídia canadense questionam ética e controle da Google e Facebook

Luana Saturnino
com informações de The Guardian, The Toronto Star, News Media Canada, Forbes, The Street, Business Insider

A mais recente capa do The Toronto Star veio em branco. Isso mesmo. Uma página inteira branca preenchida com vazio no jornal impresso de maior circulação de Toronto e região metropolitana. A publicação protesta contra as ações da Google e Facebook em termos de taxas, lucros e até censura. Esse burburinho teve início no mundo virtual desde janeiro e continua a tomar grandes proporções. 

 

As ações da maior corporação presente na tecnologia levanta debates no mundo inteiro após uma singularidade na Austrália. Grandes veículos de comunicação haviam sido retirados das buscas para centenas de milhares de australianos. Isso resultou em um baixo desempenho e queda na arrecadação de renda para essas companhias. A empresa magnata de tecnologia apenas tratou a seriedade dessas ações como um “experimento”. “Cada experimento testa o alcance de buscas na plataforma da Google em 1% da população australiana para medir o impacto entre buscas na plataforma e negócios de noticias”, declara a empresa em comunicado sem dar qualquer detalhe sobre a ação. 

 

O governo da Austrália tem tentado sem grandes sucessos impor códigos legislativos sobre a Google e o Facebook para evitar que a mídia local seja mais explorada do que ja e. O acordo proposto seria o primeiro no mundo e se fosse aceito, obrigaria as grandes empresas a pagar um percentual de lucro para veículos de notícia. Um acordo similar está sendo discutido no Reino Unido desde 2020.  

 

Jornalismo é um dos setores que mais movimentam buscas online e atrai publicidade, acesso e compartilhamentos. No entanto, as grandes plataformas digitais lucram, segundo dados do News Media Canada, 80% sobre os esforços de um jornal online, inclusive dos mais populares e acessados. Além de prejudicar os recursos e visibilidade de diversos veículos midiáticos, essa logística desigual prejudica o público. Milhares de pessoas permanecem desinformadas sobre determinados assuntos ainda que busquem informações sobre. 

 

Quando um acordo foi proposto pelo governo australiano, o Facebook teve como reação a possibilidade de bloquear notícias compartilhadas por seus usuários na Austrália. Já a Google coagiu os usuários do território a rejeitar o projeto de lei: sinais de alerta eram enviados aos internautas na plataforma sugerindo que “a forma como australianos buscam na Google está sendo posta em risco pela nova regulação do governo”. Enquanto um Golias digital usa a censura de veículos de notícias confiáveis e verificáveis como arma, o outro gigante usa de coerção e difamação como escudo. 

 

É preciso lembrar que os administradores principais de ambas as empresas prosseguem tendo suas fortunas intactas. O CEO da Google e Alphabet Inc. Sundar Pinchai possui uma receita de mais de 600 milhões de dólares americanos, baseada em informações da Forbes e The Street. Já o tão famoso Mark Zuckerberg, co-fundador do Facebook e atualmente dono do Instagram e recém adquirido Whatsapp possui uma renda bilionária. A estimativa é que sua fortuna esteja em cerca de 82,3 bilhões de dólares. Será que uma melhor e mais justa distribuição de ganhos deixaria esses executivos na miséria? 

 

O CEO da Google e Alphabet Inc. Sundar Pinchai encontrou o primeiro-ministro australiano Scott Morrison após o escândalo envolvendo sua empresa bilionária e o país do hemisfério sul no dia 4 de fevereiro. Sundar e sua equipe afirmaram que o acordo traria uma “vantagem desleal aos veículos de mídia australianos”. As negociações ainda ocorrem e não há uma média de valores definidos.  

 

No Canadá, a iniciativa “Levelling the digital playing field” (Algo como “nivelando o jogo digital”), está sendo promovido por vários membros do News Media Canada, uma organização de veículos de jornalismo no Canadá. O projeto que pode ser acessado em https://www.levellingthedigitalplayingfield.ca/ visa alcançar a classe politica nacional para pressionar uma negociação com os gigantes da tecnologia.

 

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