Influenciadora canadense se apaixona pelo Brasil e produz conteúdo em português: “Não tem povo igual ao brasileiro"
Bióloga e criadora de conteúdo, Kiki viveu um ano e meio no interior de SP e no litoral, aprendeu português no dia a dia e guarda no coração o povo, a cultura e a picanha.
Kiki começou, então, a estudar com o aplicativo Duolingo, mas o aprendizado real veio com a vida cotidiana no Brasil (Fotos: Arquivo Pessoal)
A influenciadora e bióloga canadense Frédérike — mais conhecida como Kiki — tem 27 anos e mora em Québec city, mas mantém uma conexão inegável com o Brasil. Fluente em português brasileiro, ela fala na nossa língua para uma legião de mais de 270 mil pessoas no perfil @kiki_a_gringa, no Instagram.
O número de seguidores é quase a população de Suzano, na região metropolitana de São Paulo, onde Kiki morou por cerca de um ano e meio antes de ir para o Guarujá, no litoral do estado, onde ela diz ter sido muito feliz “Sou uma garota de praia, foi muito bom morar lá!”
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“Tá de sacanagem com a minha cara?”
Apesar de nunca ter feito aulas formais de português, Kiki conhece gírias e expressões bem brasileiras. “Tá de sacanagem com a minha cara?” é uma das suas preferidas.
“Eu tenho certeza de que fui brasileira em outra vida porque todas as expressões que dizem que só brasileiro entende, para mim fazem todo o sentido do mundo, como ‘A luz dormiu acesa’ ou ‘Vou esperar o sol esfriar’ ou “Não vi nem o cheiro’. Eu te entendo, irmão!”, diz ela em um vídeo no Instagram.
O interesse pelo português começou ainda no Canadá, quando ela conheceu o ex-namorado na faculdade. “Pra mim é muito importante conseguir falar a língua da pessoa com quem estou me relacionando. Eu acho que tem um toque da personalidade que realmente é mais vivo na língua materna da pessoa. Então, comecei a aprender antes de mudar para o Brasil, mas eu entendia só 10% do que acontecia ao meu redor e falava como uma criança.
Mesmo assim, todo mundo queria conversar comigo no Brasil, já chegavam perguntando se eu era gringa de onde”, conta ela sobre a origem do apelido que virou o nome da conta nas redes sociais.
“O Brasil é uma parte de mim”
A relação com o Brasil ficou tão forte que, na primeira visita, antes de se mudar, já nasceu um desejo: “Depois de uma semana eu já queria morar lá ou pelo menos ter uma casa onde eu pudesse passar alguns meses por ano, porque me encantei tanto pelo país!”
Kiki começou, então, a estudar com o aplicativo Duolingo, mas o aprendizado real veio com a vida cotidiana no Brasil.
“No Brasil não tem escolha, né? Não tem como falar inglês, amuito menos francês, então tem que se virar com o português. Eu aprendi com as gírias, com os palavrões, com o sotaque do interior de São Paulo, porque era de lá que meu ex-namorado e a família dele eram. Em três meses eu já estava falando corretamente o suficiente para me virar sozinha de boa, apesar de ainda cometer erros, como ainda cometo.”
Se a língua foi um desafio inicial, a recepção calorosa por parte dos brasileiros ajudou neste processo.
“O que eu mais gosto do Brasil são os brasileiros. Não tem nada igual. Eu viajei bastante na minha vida, mas nunca encontrei um povo assim. É um povo muito, muito, muito gentil, muito acolhedor, muito caloroso. Você chega na casa de alguém e vão te oferecer comida, bebida, eles querem te ver super à vontade e não é sobre ter educação, eles falam de coração. Também tem o ‘bom dia’ para todo mundo na rua, você passa a mão num cachorro e em 10 minutos você vira amigo do dono, sabe?”, diverte-se.
O cachorro de Kiki, inclusive, foi morar com ela no Brasil. Recentemente ela descobriu que o pet é do tipo “fiapo de manga”. “Ele é canadense, mas adorava a vida no Brasil, ele adora sol e calor, tem alma de brasileiro (risos)”.
Uma vida em português
Hoje, mesmo de volta ao Canadá, Kiki continua produzindo conteúdo em português. “Agora faz parte de mim. Eu gosto desse lado de mim que encontrei no Brasil. Minha comunidade lá é incrível, eu gosto tanto de falar com ela... Eu não faço dinheiro nenhum com isso, realmente faço pela paixão. O pagamento mais caro que tem é saber que alguém me viu no fim de um dia horrível e riu por um minuto com meu vídeo.”
Kiki também faz vídeos para a conta de cultura pop quebécoise @ÇaFaitJaser, onde é possível escutar a influencer falando em sua língua materna, francês.
Picanha e brigadeiro
Na lista de sabores que mais sente falta, a campeã é a picanha. “Picanha, aquele pão de alho que tem no churrasco, estrogonofe, brigadeiro... tudo isso pra mim é uma doideira. Eu adoro isso no Brasil. Aqui no Canadá só tem porque os brasileiros trouxeram”, conta, rindo.
Para Kiki, a experiência no Brasil deixou marcas permanentes — na fala, no coração e até no paladar. “Um pedaço do Brasil fica comigo”, resume.