Canadá adota IA para identificar viajantes de 'alto risco' na fronteira
De acordo com a Agência de Serviços de Fronteira do Canadá, o Indicador de Conformidade do Viajante foi desenvolvido internamente para processar os viajantes de forma mais eficiente.
Foto: AP Photo/Wilson Ring via CTV News
A Agência de Serviços de Fronteira do Canadá (CBSA, na sigla em inglês) planeja expandir o uso de uma ferramenta de inteligência artificial (IA) para todas as suas fronteiras terrestres. O objetivo é ajudar a identificar viajantes que podem precisar de uma inspeção secundária antes de entrar no país.
De acordo com a CBSA, o Indicador de Conformidade do Viajante (TCI, na sigla em inglês) foi desenvolvido internamente para processar os viajantes de forma mais eficiente. A ferramenta compila dados preditivos já disponíveis em diversos sistemas em tempo real, sinalizando aqueles com maior risco de violar as exigências de entrada no país.
A intenção é que o TCI ajude os agentes de fronteira a tomar decisões, mas sem substituí-los. "O TCI é apenas um indicador e não substitui o julgamento do oficial ou determina resultados automaticamente", explicou Luke Reimer, porta-voz da agência.
"A decisão de encaminhar um viajante para uma inspeção secundária cabe ao oficial, cujo treinamento, experiência e conhecimento especializado permitem que ele esteja sempre atento a possíveis ameaças."
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Riscos e desafios da tecnologia
Apesar dos benefícios, o uso da IA levanta preocupações. O professor Ebrahim Bagheri, da Universidade de Toronto, especialista no desenvolvimento responsável de inteligência artificial, alertou sobre os riscos de vieses inerentes à tecnologia. Ele apontou que sistemas de IA projetados para avaliar riscos podem acabar gerando perfis negativos de grupos minoritários, com o potencial de "absorver vieses de dados históricos, exacerbar-los e colocá-los em prática".
Outra preocupação é o viés de automação, fenômeno que leva as pessoas a darem preferência às sugestões de sistemas automatizados em vez de confiarem em seu próprio conhecimento. Embora a CBSA afirme que a decisão final permanece com o oficial, Bagheri argumenta que, na prática, os agentes podem se inclinar a seguir a recomendação do algoritmo.
Para mitigar esses riscos, a CBSA declarou estar trabalhando ativamente para minimizar o impacto de possíveis vieses no TCI. A agência planeja monitorar o desempenho da ferramenta em diferentes grupos populacionais e fazer ajustes contínuos para mitigar preconceitos.
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No entanto, Bagheri sugere que a melhor forma de garantir a imparcialidade de um sistema como esse é permitir a análise e o escrutínio independentes. "Torna-se realmente difícil ver como a CBSA pode garantir de forma eficaz que seu sistema está monitorando e melhorando gradualmente os vieses", concluiu.
Implementação e custos
O TCI foi testado em um projeto piloto em seis pontos de entrada terrestres desde 2023, com a implementação total prevista para o final de 2027. O custo do projeto ficou em aproximadamente 15,3 milhões de dólares canadenses, um pouco abaixo do orçamento. Após a implementação completa, os custos operacionais anuais de manutenção e desenvolvimento devem ser de cerca de 700.000 dólares canadenses.