Por que especialistas temem uma das piores temporadas de gripe em Ontario este ano

Alerta em Ontario: Temporada de gripe pode ser "muito difícil"; cepa H3N2 preocupa especialistas e pode ter resistência parcial à vacina atual

Por Júnior Mendonça-
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Foto: Doug Ives/The Canadian Press

Especialistas em saúde estão soando o alarme: Ontario e o restante do Canadá podem enfrentar uma temporada de gripe "muito difícil" neste inverno.

A preocupação é alimentada por dados recentes da Public Health Ontario (PHO), que já mostram um crescimento de 1,8% nos casos de influenza na província, segundo o relatório da última semana de outubro. Durante esse período, foram confirmados 129 casos, resultando em 14 hospitalizações e três surtos declarados.

As crianças parecem ser as mais afetadas no momento. A PHO detalha que a taxa de positividade para influenza A é mais alta em crianças de 5 a 11 anos (7,8%), com o grupo de 12 a 19 anos logo atrás (4,2%). A agência prevê que a atividade da gripe continue a subir nas primeiras semanas de novembro.

Os dados federais confirmam a tendência de alta em todo o país, embora o Canadá ainda não tenha atingido o limiar de epidemia sazonal (5% de testes positivos).

Um dos principais indicadores que preocupam os médicos é o que aconteceu recentemente no hemisfério sul. O Dr. Fahad Razak, do St. Michael’s Hospital, lembra que a Austrália, cujo inverno ocorre durante o nosso verão, serve frequentemente como um espelho. "Eles tiveram um ano muito, muito ruim, um dos piores já registrados", afirmou Razak à CP24.

Na Austrália, os casos em outubro atingiram níveis recordes, com um aumento de quase 11% em relação a 2024. Ao mesmo tempo, a vacinação infantil (de 6 meses a 5 anos) atingiu o nível mais baixo desde 2021.

Apesar da Agência de Saúde Pública do Canadá (PHAC) tratar os dados da Austrália com cautela — já que as cepas dominantes podem variar —, há um subtipo específico que está sendo monitorado de perto: o H3N2.

Essa cepa da influenza A é conhecida por afetar mais severamente bebês, idosos e pessoas com sistema imunológico comprometido. Embora o H1N1 ainda seja dominante no Canadá (responsável por 55% dos casos em Ontario, segundo a PHO), o Dr. Alon Vaisman, especialista em doenças infecciosas, alerta que a H3N2 "tem a capacidade" de mudar esse cenário, especialmente porque o corpo humano não a vê há algum tempo.

O Dr. Isaac Bogoch, outro especialista em doenças infecciosas, acrescenta uma camada de preocupação: a H3N2 tende a causar temporadas mais graves. "O que é um pouco preocupante é que a H3N2 atual (...) mostra, por falta de palavra melhor, um pouco de resistência à vacina atual", explicou à CTV News Toronto.

Ele esclarece que a vacina — que este ano mira o H1N1, o H3N2 e a influenza B — "talvez" não seja tão eficaz contra essa cepa específica. No entanto, Bogoch é enfático: "Ainda é uma excelente ideia tomar a vacina... é muito, muito boa em reduzir o risco de influenza e suas complicações."

A PHAC afirma que ainda é cedo para previsões definitivas, já que o cenário dependerá da eficácia da vacina, da cobertura vacinal e de quais vírus circularão juntos. Outros países, como Inglaterra e Irlanda, também relatam um início "incomumente precoce" da temporada de gripe, com casos e hospitalizações em alta.

Segundo o Dr. Vaisman, a verdadeira intensidade da temporada só será conhecida no final de dezembro ou início de janeiro.

Mas ele reforça que, independentemente da cepa, a prevenção é a mesma: "Não vá ao trabalho ou à escola doente, lave as hands, e a vacinação contra a gripe é absolutamente crítica. A mensagem central não muda."

FONTE: Redação North News com informações CTV News Toronto