Imigrantes dizem que trabalhadores temporários assumem vagas rejeitadas por canadenses
Especialista detona hipocrisia do Canadá ao usar estrangeiros na bonança e descartá-los na crise
Foto: Stephen Lubig/CBC
Uma nova pesquisa realizada pela Leger, encomendada exclusivamente pela OMNI News, revela uma divisão na opinião dos imigrantes sobre o impacto da mão de obra estrangeira no Canadá.
Segundo o levantamento, 47% dos entrevistados acreditam que o Programa de Trabalhadores Estrangeiros Temporários (TFWP) é essencial para preencher postos de trabalho que muitos canadenses se recusam a aceitar. Por outro lado, 36% avaliam que esses trabalhadores estão tirando oportunidades de emprego dos jovens locais.
Catherine Connelly, professora e pesquisadora da Universidade McMaster, alerta para os equívocos comuns sobre o programa. "Muitas empresas já não conseguem contratar estrangeiros para vagas de baixos salários devido às mudanças recentes", explica.
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A pesquisa indica que a maioria dos recém-chegados defende que Ottawa restrinja o programa a setores específicos ou regiões com baixo desemprego. No entanto, Connelly argumenta que "ajustes finos" no TFWP não são uma solução realista para a complexidade do mercado atual.
O dilema político e econômico
A pesquisa OMNI-Leger mostra que os imigrantes estão divididos meio a meio sobre o futuro do programa: manter como está ou encerrá-lo de vez. O líder do Partido Conservador, Pierre Poilievre, tem defendido o fim do modelo atual em favor de um sistema focado exclusivamente em mão de obra agrícola, onde a escassez é crítica.
Connelly critica a visão utilitarista sobre a imigração: "Não é justo trazer pessoas para impulsionar nosso crescimento econômico e tratá-las como robôs de fábrica, que podem ser 'desligados' ou enviados de volta quando a economia vai mal. Se eles são bons o suficiente para trabalhar para nós, deveriam ser bons o suficiente para ficar."
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Mudanças nas regras de imigração (2024-2025)
Para contextualizar o debate, é importante notar que o governo canadense implementou restrições severas ao programa no último ano para controlar o crescimento populacional e a pressão sobre a habitação:
- Congelamento em grandes centros: desde setembro de 2024, o governo federal recusa pedidos de empregadores para contratar trabalhadores temporários de baixos salários em regiões metropolitanas onde a taxa de desemprego é de 6% ou mais.
- Limites de contratação: a maioria dos empregadores agora está limitada a ter apenas 10% de sua força de trabalho composta por estrangeiros temporários (reduzido dos anteriores 20% ou 30%).
- Vistos de estudante: houve também uma redução significativa na emissão de vistos de estudo, que frequentemente serviam como porta de entrada para o mercado de trabalho temporário.
Essas medidas refletem uma tentativa de equilibrar a necessidade econômica com a crescente insatisfação pública sobre a infraestrutura e o custo de vida.