Conheça o supermercado comunitário em Montreal onde voluntários trabalham em troca de descontos de até 80%
Comércio sem fins lucrativos oferece economia e senso de comunidade.
Foto: CTV News
Um antigo prédio industrial grafitado em um ex-pátio ferroviário em Montreal é agora a sede de um supermercado sem fins lucrativos. O local é gerido por membros que garantem economia em troca de trabalho voluntário.
O Le Detour abriu suas portas há oito anos com a missão de alimentar o bairro a preços justos, enquanto nutre as conexões comunitárias. "Não enviamos nossos lucros para bilionários em Toronto ou nos Estados Unidos", afirma a gerente de operações Kathleen Gudmundsson.
"Estamos aqui para manter nossos preços o mais baixos possível, garantindo apenas o necessário para pagar as contas e manter as geladeiras funcionando com segurança."
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O mercado é aberto a todos, mas conta atualmente com mais de 400 membros que dedicam algumas horas por mês em troca de descontos. "Temos desde pilotos e doutores até pessoas que recebem assistência social ou que vivem com deficiências", diz Gudmundsson.
"O fato de não termos 30 salários para pagar e de a maior parte do trabalho ser feita pelos membros faz uma grande diferença nos nossos preços."
Charles Duplessis trabalhou com automação industrial antes de se aposentar. Agora, ele passa algumas horas por mês operando o caixa. "Eu queria me envolver na comunidade e fazer algo para ajudar quem está enfrentando dificuldades com os preços dos alimentos hoje em dia", relata Duplessis.
Economia real no bolso
Em novembro passado, os membros do Le Detour compararam seus preços com os de duas grandes redes de supermercados próximas.
Eles descobriram que os membros economizaram $63,44 (ou 85,5%) em uma cesta de 32 tipos de vegetais em comparação à rede Maxi. A economia foi um pouco menor, 81,17%, em relação à rede IGA.
Para uma cesta familiar média de 66 itens, incluindo alguns produtos orgânicos, a economia foi de 4,65% em relação ao Maxi e 16,38% em relação ao IGA.
Vale notar que a comparação foi feita com produtos que não estavam em promoção, já que o Le Detour não tem a mesma margem das grandes redes para oferecer ofertas agressivas.
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"Os preços das frutas e vegetais são bons, e eles tentam priorizar produtos locais quando possível", diz Virginie Gauvin, que mora por perto e compra no local quase toda semana, embora não seja membro. "É um ambiente muito agradável para fazer compras e é ótimo apoiar um negócio do bairro."
De pátio ferroviário a centro comunitário
O Le Detour fica no bairro de Pointe-St-Charles, em Montreal, uma área historicamente operária.
No início dos anos 2000, grupos comunitários lutaram contra projetos de revitalização dos galpões ferroviários que incluíam, inicialmente, até um cassino. Um dos prédios, chamado Bâtiment 7, acabou convertido em um espaço comunitário para abrigar vários projetos, incluindo o supermercado.
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Hoje, o Le Detour é um espaço iluminado e acolhedor, com quatro corredores e uma seção variada de hortifrúti. Os clientes também encontram pães frescos, refeições prontas, congelados e uma boa seleção de queijos locais.
"Temos cerca de 1.300 produtos em estoque. Talvez você não encontre absolutamente tudo o que precisa, mas pode fazer uma compra básica com o essencial", diz Gudmundsson. "Não teremos 18 tipos de molho de soja, mas teremos um que seja acessível e que nossos membros gostem."
O projeto foi inspirado em iniciativas semelhantes em Nova York e na França, de lojas geridas pela comunidade para alimentar a própria comunidade. O Le Detour pode não ter o espaço ou a variedade dos gigantes do setor, mas cada cesta de alimentos vem acompanhada de uma boa dose de espírito comunitário.