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22/01/2021 às 14h00min - Atualizada em 14/01/2021 às 14h00min

BRASIL Brasil sendo Brasil: investigação de 'fura-filas' na vacinação Covid-19 em 8 estados

Indivíduos fora do grupo prioritário receberam doses no DF, AM, PE, BA, PB, RN, RO e PA

Júnior Mendonça
Foto: Reprodução/Instagram
 
O Ministério Público Federal do Brasil apura denúncias de pessoas que furaram a fila da vacinação Covid-19 em, pelo menos, sete estados, além do Distrito Federal. Indivíduos fora do grupo prioritário receberam doses na Bahia, Amazonas, Pernambuco, Paraíba, Pará, Rio Grande do Norte e Rondônia. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, conta até o momento com apenas seis milhões de doses da Coronavac, que já foram aprovadas pela Anvisa.

Além disso, já foram autorizadas dois milhões de doses da vacina de Oxford, que serão importadas da Índia. A previsão é que essa remessa da vacina britânica chegue em solo brasileiro nesta sexta-feira (22).

FURA-FILA Entre as pessoas que teriam ‘furado a fila’ estão políticos, servidores públicos, familiares de funcionários do setor da saúde. Após denúncias de irregularidades na aplicação, em Manaus, a vacinação para os profissionais de saúde chegou a ser suspensa, nessa quinta (21), por um dia. O Tribunal de Contas do Amazonas concedeu mais 24 horas para que o governo do Estado e a prefeitura de Manaus apresentem uma lista nominal das pessoas que já foram imunizadas e das que ainda serão, sob pena de ser determinada a exoneração dos secretários de saúde.

Em Manaus, a vacinação de duas médicas recém-formadas gerou revolta da população, que as acusa de furarem fila. Chama a atenção o suspeito fato de as duas médicas terem sido contratadas para cargos comissionados na Secretaria Municipal de Saúde no dia 18 deste mês. O caso será investigado pelo Ministério Público do Amazonas, que apura suspeita de desvio de vacinas.

O Ministério Público do Pará (MP-PA) apura o caso de uma engenheira na cidade de Bragança, a cerca de 200 km da capital Belém. Ela teria tomado a primeira dose da Coronavac em um hospital no qual ela trabalhou para uma reforma. Os promotores suspeitam que, para furar a fila na prioridade pelo imunizante, a mulher utilizou a influência do marido, que seria um médico funcionário do hospital.

Segundo a Agência Estado, mesmo sem fazer parte do grupo prioritário, Reginaldo Prado (PSD), prefeito de Candiba, na Bahia, a cerca de 700 km da capital, tomou a vacina contra a Covid-19. O ato ocorreu na terça-feira (19), mesmo dia em que o imunizante chegou na cidade, e foi compartilhado nas próprias redes sociais da prefeitura. Com apenas 15 mil habitantes, localizada no centro-sul baiano, Candiba recebeu apenas cem doses da Coronavac.

Em nota, a prefeitura informou que o prefeito foi imunizado em "um ato de demonstração de segurança, legitimidade e eficácia da vacina, como forma de incentivo para a população que está desacreditada". Na quarta (20), o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado da Bahia ajuizaram uma ação de improbidade administrativa e uma ação civil pública contra o prefeito.

Em Itabi, no Estado de Sergipe, o prefeito Júnior de Amintas (DEM), de 46 anos, foi o primeiro a tomar a vacina. A ação também ocorreu na terça-feira e causou revolta da população de cerca de 5 mil habitantes. Em nota oficial, a Secretaria de Saúde do município explicou que o prefeito foi imunizado para incentivar a população a se vacinar.

Já em Jupi, cidade do interior de Pernambuco, foi a secretária de Saúde, Maria Nadir Ferro, e um fotógrafo que trabalha na prefeitura, conhecido como Guilherme JG, que tomaram a vacina, mesmo sem fazer parte do grupo prioritário. Os dois servidores públicos foram afastados.

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