Número de proprietários com hipotecas atrasadas quadruplica em Toronto
Novo relatório da CMHC revela que a inadimplência hipotecária disparou na GTA. Saiba quais perfis de compradores estão em maior risco e o que esperar para 2026.
THE CANADIAN PRESS/Frank Gunn
O número de proprietários em Toronto que enfrentam dificuldades para pagar a hipoteca mensalmente mais do que quadruplicou nos últimos três anos.
Os dados constam no novo relatório da Canada Mortgage and Housing Corporation (CMHC), divulgado nesta quinta-feira.
Embora o aumento da inadimplência (atrasos superiores a 90 dias) seja uma tendência nacional, o problema é consideravelmente mais grave na região da Grande Toronto (GTA).
De acordo com o relatório, 2.797 consumidores na GTA estavam com pagamentos em atraso no terceiro trimestre de 2025, um salto alarmante comparado aos 662 registrados no mesmo período de 2022.
Apesar do crescimento rápido, a taxa geral de inadimplência na região ainda é considerada baixa, situando-se em 0,26%.
Pressão dos juros e renovações contratuais
Especialistas da CMHC, baseados em dados da Equifax, preveem que os índices continuem subindo moderadamente em todo o Canadá até 2026, com Toronto e Vancouver sendo as cidades mais afetadas.
O principal motivo é a "onda de renovações": cerca de 2,2 milhões de hipotecas — 45% do total do país — foram ou serão renovadas entre 2024 e 2025.
Muitos desses proprietários estão trocando as taxas de juros historicamente baixas do período da pandemia (2020-2021) por valores muito mais altos.
O perfil de risco: Compradores da era da pandemia
Tania Bourassa-Ochoa, economista-chefe adjunta da CMHC, alerta que os grupos mais vulneráveis são:
- Primeiros compradores (First-time buyers): Especialmente aqueles que adquiriram imóveis durante ou logo após a pandemia.
- Investidores com alta alavancagem: Quem assumiu dívidas elevadas em relação à renda.
- Proprietários com pouco patrimônio líquido (equity): Aqueles que compraram no pico dos preços e agora veem o valor dos imóveis oscilar.
Fatores econômicos e desemprego
Além dos juros, outros desafios alimentam a inadimplência, como o endividamento das famílias, o custo de vida elevado e, principalmente, o desemprego.
"Historicamente, o principal motor da inadimplência hipotecária é a perda de renda ou do emprego", explica Bourassa-Ochoa.
Enquanto cidades como Montreal, Ottawa e Halifax apresentam maior estabilidade, o cenário em Toronto é de alerta.
Em janeiro de 2026, o preço médio de venda de uma casa na GTA caiu abaixo da marca de US$ 1 milhão pela primeira vez desde 2021, refletindo um mercado em ajuste sob forte pressão econômica.