Guerra se espalha: Irã ataca embaixada dos EUA, Trump fala em conflito longo e brasileiros no Oriente Médio entram em alerta

Conflito escala após ataque à embaixada americana na Arábia Saudita. EUA ordenam evacuação em vários países e voos são afetados. Entenda os impactos globais.

Por Júnior Mendonça, da Redação North News-
4 Min

Vahid Salemi

O cenário de guerra no Oriente Médio atingiu um novo patamar de tensão nesta terça-feira. O Irã expandiu sua lista de alvos, atingindo a Embaixada dos Estados Unidos na Arábia Saudita, no momento em que Washington iniciava a retirada de parte do seu corpo diplomático da região. Em resposta, forças americanas e israelenses realizaram intensos bombardeios no Irã, no que o presidente Donald Trump sugeriu ser apenas o começo de um conflito que já abala o fornecimento mundial de petróleo, o comércio marítimo e o tráfego aéreo internacional.

No quarto dia de hostilidades, o conflito se agravou com a entrada de novas tropas terrestres israelenses no Líbano e explosões na capital iraniana, Teerã. O número de mortos já passa de centenas, com a grande maioria das vítimas registradas em solo iraniano.

Duração Incerta e "Botas no Chão"

A imprevisibilidade da guerra levanta dúvidas sobre sua conclusão. Trump mencionou que o conflito pode durar de quatro a cinco semanas, mas ressaltou que os EUA estão preparados para um período maior. Em entrevista ao New York Post, o presidente não descartou a possibilidade de enviar tropas terrestres (o chamado "boots on the ground").

Apesar da ofensiva que resultou na morte do Líder Supremo do Irã, o Aiatolá Ali Khamenei, os objetivos de Washington ainda geram dúvidas. Embora Trump tenha incentivado o povo iraniano a derrubar o governo, assessores do governo afirmaram posteriormente que a "mudança de regime" não é o objetivo central da operação.

Ataques às Embaixadas e Evacuação de Emergência

Um ataque com drones contra a embaixada americana em Riade causou um incêndio de proporções limitadas. O incidente ocorre logo após o fechamento da embaixada dos EUA no Kuwait por tempo indeterminado.

Diante do perigo, o Departamento de Estado americano ordenou a evacuação de funcionários não essenciais e familiares no Kuwait, Bahrein, Iraque, Catar, Jordânia e Emirados Árabes Unidos. Diversos países emitiram alertas para que seus cidadãos deixem o Oriente Médio imediatamente, mas o fechamento de grandes trechos do espaço aéreo deixou muitos estrangeiros retidos na região.

Balanço de Vítimas e Alvos Nucleares

Segundo a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano, os ataques liderados por EUA e Israel já mataram ao menos 787 pessoas. Em Israel, o impacto de mísseis iranianos deixou 11 mortos. O grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, também intensificou ataques, gerando retaliações israelenses que vitimaram 52 pessoas no Líbano. As forças armadas dos EUA confirmaram a morte de seis militares americanos em diferentes bases da região.

Em Teerã, o som de explosões e aeronaves dominou a madrugada. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) relatou danos na unidade de enriquecimento nuclear de Natanz, embora sem riscos radiológicos imediatos. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a ação foi necessária para impedir que o Irã reconstruísse locais subterrâneos para a fabricação de bombas atômicas.

Impacto na Economia e nos Negócios

O Irã tem revidado atingindo países considerados aliados do Ocidente no Golfo. Recentemente, centros de dados da Amazon nos Emirados Árabes e no Bahrein foram alvos de ataques. Instalações de energia no Catar e na Arábia Saudita também sofreram danos.

O ponto mais crítico para a economia mundial é o Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. Generais iranianos declararam que a passagem está fechada e ameaçaram incendiar qualquer navio que tente atravessá-la, o que fez os preços globais de óleo e gás dispararem.

A Frente Libanesa

O conflito transbordou definitivamente para o Líbano. O exército de Israel moveu tropas adicionais para o sul do país e tomou posições estratégicas na fronteira. Beirute também foi alvo de novos bombardeios contra centros de comando do Hezbollah. Em resposta, o exército libanês começou a evacuar postos na fronteira, e lideranças do Hezbollah afirmaram que agora "não resta outra opção a não ser lutar".

FONTE: Júnior Mendonça, da Redação North News