Trocou de emprego no Canadá? Cuidado: sua declaração de imposto de renda pode esconder surpresas
Entenda como promoções, demissões e o seguro-desemprego (EI) impactam seus impostos no Canadá em 2025 e saiba como evitar dívidas inesperadas com o fisco.
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Conseguir um novo trabalho ou ser desligado de uma empresa são eventos que mudam a vida — seja por uma transição empolgante, um período desafiador ou a chance de um recomeço. No entanto, meses após a poeira baixar, é comum esquecer que essas mudanças de trajetória impactam diretamente a declaração de imposto de renda daquele ano.
Especialistas detalham as situações mais comuns em que a troca de emprego mexe com o seu bolso na hora de acertar as contas com o governo.
Ao começar um novo emprego
Um novo cargo com salário maior pode colocar você em uma faixa de imposto (tax bracket) mais elevada. Para o ano fiscal de 2025, a alíquota federal é de 14,5% para a parcela da renda tributável de até $57.375. Quem ganha acima desse valor paga uma taxa progressiva sobre o excedente.
Para reduzir uma fatura de impostos potencialmente maior, considere estratégias como contribuir para planos de aposentadoria registrados (como o RRSP) ou fazer doações a instituições de caridade elegíveis para obter créditos fiscais.
Stefanie Ricchio, contadora e porta-voz da TurboTax, lembra que novos funcionários também podem buscar deduções relacionadas ao trabalho, como despesas de mudança, caso tenham se mudado pelo menos 40 quilômetros para ficar mais perto do novo empregador. Isso inclui custos com transportadoras, viagens e acomodações temporárias. Todavia, ela alerta: essas despesas só podem ser deduzidas da renda gerada no novo emprego.
Quanto aos descontos em folha, a maioria dos empregadores retira valores para o CPP (Canada Pension Plan) e o seguro-desemprego (EI) direto do contracheque. Ao trocar de empresa, há o risco de você contribuir a mais para esses benefícios. "O novo patrão não tem visibilidade do quanto você já pagou no emprego anterior", explica Ricchio. O resultado? Você pode acabar recebendo um reembolso na época do imposto de renda por ter pago além do teto.
Para quem tinha planos de pensão ou RRSP na empresa antiga, a recomendação é transferir o montante para outro produto bancário em vez de sacar o dinheiro. "Se você sacar, terá que pagar imposto sobre esses valores imediatamente", alerta a especialista.
Verbas rescisórias (Severance Pay)
O valor recebido em uma demissão é considerado renda. Por isso, o empregador geralmente retém o imposto na fonte no momento do pagamento. Essa retenção serve como uma proteção para que o trabalhador não fique devendo ao governo meses depois, quando o dinheiro já pode ter sido gasto.
"Não representa exatamente a sua faixa de imposto real, mas é uma medida de segurança para garantir que algo foi aplicado como imposto sobre aquela renda", diz Ricchio. Planos de demissão voluntária (buyouts) seguem a mesma lógica.
Gerry Vittoratos, especialista da UFile, observa que, às vezes, a rescisão pode ser estruturada como um "abono de aposentadoria" (retiring allowance). Nesse caso, uma parte elegível pode ir direto para um RRSP, adiando o pagamento de impostos, desde que você tenha limite de contribuição disponível.
Recebimento de seguro-desemprego (EI)
Muitas pessoas que perdem o emprego recorrem ao Employment Insurance (EI), que também é uma renda tributável.
"Se você não pagar imposto sobre o seguro-desemprego enquanto o recebe, pode acabar com um saldo devedor ao somar todas as suas rendas do ano", diz Ricchio. Ela sugere reservar cerca de 15% dos pagamentos do EI para cobrir a primeira faixa de imposto federal de 2025. Na época da declaração, o contribuinte receberá o formulário T4E com os detalhes dos valores recebidos.
Além disso, quem recebe EI e consegue um novo emprego com salário alto pode ter que devolver parte do benefício. Se a sua renda total em 2025 (somando rescisão, EI e salários) ultrapassar o limite de $82.125, o governo solicitará o reembolso de uma parcela do seguro-desemprego através da declaração de ajuste anual.