Nova lei de cidadania do Canadá leva jogador inglês direto para a Copa do Mundo

Saiba como a queda do limite de gerações na lei canadense mudou a vida de um atleta e veja se você também tem direito à cidadania por avós.

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O jogador de futebol Alfie Jones, nascido na Inglaterra, tornou-se cidadão canadense no ano passado e garantiu uma vaga na seleção nacional para a Copa do Mundo da FIFA — tudo graças a uma avó nascida em Hillcrest, na província de Alberta.

Por cerca de 16 anos, ter um avô ou avó canadense não era o suficiente para garantir o direito à cidadania na linha familiar. No entanto, o Canadá alterou recentemente suas leis de cidadania por descendência, e o caso de Jones demonstra perfeitamente como essa mudança funciona na prática.

Jones, de 28 anos, é um zagueiro nascido em Bristol que atua pelo Middlesbrough FC, da Inglaterra. Durante a maior parte de sua carreira, suas raízes canadenses não passavam de uma curiosidade familiar. Ele sempre soube que sua avó materna havia crescido em Alberta, mas, segundo ele mesmo, nunca cresceu pensando que teria direito ao passaporte canadense.

Tudo mudou após uma conversa informal com o meio-campista canadense Liam Millar. De acordo com a imprensa local, Jones mencionou a história de sua avó de passagem, enquanto Millar desabafava sobre a saudade que sentia do Canadá.

Millar decidiu ligar para o técnico da seleção masculina do Canadá, Jesse Marsch, e contou sobre a ligação de Jones com Alberta. Foi aí que começou o processo para confirmar a elegibilidade e buscar a cidadania do atleta.

A federação canadense de futebol contratou advogados e guiou o jogador por todas as etapas necessárias para qualquer processo de cidadania por descendência. Isso incluiu reunir a documentação familiar, dar entrada com base na nova legislação, passar pelas etapas de análise do órgão de imigração (IRCC) e realizar a verificação de impressões digitais e antecedentes criminais junto à polícia montada (RCMP).

Naquele momento, o projeto de lei "Bill C-3" ainda não havia sido aprovado pelo Parlamento. Contudo, Alfie conseguiu se qualificar graças a mudanças que ocorreram após uma decisão judicial de 2023 em Ontário. A justiça considerou inconstitucional negar a cidadania a filhos nascidos no exterior cujos pais canadenses também tivessem nascido fora do país.

Em março de 2025, o governo canadense implementou medidas temporárias de concessão discricionária para pessoas na mesma situação de Jones: indivíduos que deveriam ter direito à cidadania por conta de um avô nascido no Canadá, mas que eram bloqueados pelo chamado "limite de primeira geração" — a regra que, até pouco tempo atrás, impedia que a cidadania fosse transmitida a um neto nascido fora do território canadense.

Jones tornou-se oficialmente cidadão canadense em 17 de novembro de 2025, apenas um dia antes de estrear como titular pela seleção em um amistoso pré-Copa contra a Venezuela. Em maio de 2026, a Canada Soccer confirmou o nome do zagueiro na lista oficial de convocados para a Copa do Mundo da FIFA de 2026.

Como ter avós canadenses também pode te dar o direito à cidadania

Durante anos, ter um avô canadense ou um antepassado no país era apenas uma história de família, não um direito legal. O limite de primeira geração, instituído no Canadá em 2009, bloqueava a transmissão da cidadania. Isso significava que um neto nascido fora do Canadá, cujos pais também tivessem nascido no exterior, não podia solicitar o passaporte.

Essa barreira caiu em 2023, quando a Suprema Corte de Ontário considerou o limite inconstitucional. O Canadá introduziu medidas temporárias de alívio e, em seguida, aprovou o projeto de lei permanentemente, que entrou em vigor em 15 de dezembro de 2025.

Essas mudanças abriram as portas para que milhões de pessoas ao redor do mundo pudessem reivindicar a cidadania por meio de um avô, bisavô ou até mesmo um antepassado mais distante.

Se um de seus avós nasceu no Canadá, você já pode ser considerado um cidadão canadense, mesmo que você e seus pais tenham nascido em outro país e ninguém na sua família jamais tenha tido um passaporte de lá. Nesses casos, você não precisa "solicitar para se tornar" um cidadão. Se você se qualifica, você já é um — bastando apenas aplicar para o documento que comprove essa condição.

O que é preciso para comprovar o direito?

Estar qualificado por conta de um avô é uma coisa; provar isso ao departamento de imigração do Canadá (IRCC) é outra.

Os candidatos precisam apresentar uma linha contínua de documentos oficiais que comprovem a ligação com o antepassado canadense: sua própria certidão de nascimento, a de seus pais e o documento que ateste a cidadania canadense de seus avós, além de certidões de casamento necessárias para justificar eventuais mudanças de sobrenome entre as gerações.

Todos esses papéis devem ser enviados ao IRCC junto com o pedido de comprovação de cidadania. Se o processo for aprovado, o requerente recebe um certificado de cidadania canadense, que poderá ser usado para emitir o tão sonhado passaporte.

Para a maioria das pessoas hoje em dia, o processo envolve solicitar registros históricos em arquivos provinciais canadenses, às vezes de antepassados que deixaram o país há muitas décadas. No caso de Jones, a árvore genealógica o levou direto para os gramados da Copa do Mundo. Para muitos outros, o caminho leva a um passaporte canadense que eles nem sabiam que tinham o direito de possuir.