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14/07/2021 às 17h34min - Atualizada em 14/07/2021 às 17h34min

Mais de 10.000 espécies da floresta amazônica estão em risco de extinção, alerta um relatório histórico

Relatório do Painel Científico para a Amazônia também pediu a restauração massiva de áreas já destruídas

CBC News
https://www.cbc.ca/news/science/amazon-species-at-risk-of-extinction-1.6102912
Getty Images

Mais de 10.000 espécies de plantas e animais estão em alto risco de extinção devido à destruição da floresta amazônica - 35 % da qual já foi desmatada ou degradada, de acordo com o esboço de um relatório científico publicado nesta quarta-feira.

 

Produzido pelo Painel Científico para a Amazônia (SPA), o relatório reúne pesquisas sobre a maior floresta tropical do mundo feitas por 200 cientistas de todo o mundo.

 

É a avaliação mais detalhada do estado da floresta até o momento e ambos deixam claro o papel vital que a Amazônia desempenha no clima global e os profundos riscos que enfrenta.

 

Reduzir o desmatamento e a degradação florestal a zero em menos de uma década "é crítico", disse o relatório. Também pediu a restauração massiva de áreas já destruídas.

 

A floresta tropical é um baluarte vital contra as mudanças climáticas, tanto pelo carbono que absorve quanto pelo que armazena. De acordo com o relatório, o solo e a vegetação da Amazônia retêm cerca de 200 bilhões de toneladas de carbono, mais de cinco vezes as emissões anuais de CO2 do mundo.

 

Além disso, o relatório afirma que a destruição contínua causada pela interferência humana na Amazônia coloca mais de 8.000 plantas endêmicas e 2.300 animais em alto risco de extinção.

 

'Janela estreita' para mudança, cientistas avisam
 

A ciência mostra que os humanos enfrentam riscos potencialmente irreversíveis e catastróficos devido a múltiplas crises, incluindo mudanças climáticas e declínio da biodiversidade, disse a professora Mercedes Bustamante da Universidade de Brasília, em comunicado publicado pela SPA.

 

“Há uma estreita janela de oportunidade para mudar essa trajetória”, disse ela. "O destino da Amazon é fundamental para a solução das crises globais."

 

No Brasil, o desmatamento aumentou desde que o presidente de direita Jair Bolsonaro assumiu o cargo em 2019, atingindo o máximo em 12 anos no ano passado e atraindo protestos internacionais de governos estrangeiros e do público.

 

Bolsonaro pediu mineração e agricultura em áreas protegidas da Amazônia e enfraqueceu as agências de fiscalização ambiental, que ambientalistas e cientistas dizem ter resultado direto no aumento da destruição.

 

Uma semana atrás, a vizinha Colômbia relatou que o desmatamento aumentou 8% em 2020 em relação a 2019 - para 171.685 hectares. Quase 64 por cento da destruição ocorreu na região amazônica do país.

 

De acordo com o relatório, do tamanho original da bacia amazônica, 18 por cento já foi desmatado - principalmente para agricultura e madeira ilegal. Outros 17 por cento foram degradados.

 

Alguns pontos emitem mais carbono do que absorvem
 

A destruição pode ameaçar a própria capacidade da floresta tropical de funcionar como sumidouro de carbono, com resultados potencialmente devastadores para a mudança climática global.

 

Um estudo separado publicado na revista Nature na quarta-feira mostrou que algumas partes da Amazônia estão emitindo mais carbono do que absorvem, com base em medições de dióxido de carbono e monóxido de carbono tiradas de cima da floresta tropical entre 2010 e 2018.

 

A autora principal Luciana Gatti, cientista da agência de pesquisas espaciais do Inpe, sugere que o aumento das emissões de carbono no sudeste da Amazônia - onde o desmatamento é violento - não é apenas resultado de incêndios e destruição direta, mas também devido ao aumento da mortalidade de árvores como seca severa e temperaturas mais altas tornam-se mais comuns.
 

 

Coautoria: Viktória Matos

 

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