Crise na capital: Canadá pode ter novas eleições?
Oposição ameaça derrubar governo Carney por causa do orçamento
Foto: THE CANADIAN PRESS/Adrian Wyld
Parlamentares do Partido Liberal dedicaram a quarta-feira a minimizar publicamente o risco iminente de uma nova eleição geral no Canadá, apesar do governo estar prestes a enfrentar seu maior teste: a votação do orçamento.
A aritmética parlamentar é implacável. Faltando três assentos para garantir a maioria, os Liberais precisam, obrigatoriamente, do apoio de ao menos um partido da oposição para aprovar o documento. Um fracasso nessa votação de confiança resultará na queda automática do governo e na convocação de novas eleições.
O documento em questão, previsto para 4 de novembro, carrega um peso extra: será o primeiro orçamento apresentado pelo novo primeiro-ministro, Mark Carney.
A aparente calma dos deputados liberais contrasta fortemente com as declarações do próprio Líder do Governo na Câmara, Steve MacKinnon. Na terça-feira, MacKinnon soou o alarme, colocando em dúvida a aprovação do orçamento ao atacar duramente a oposição. Ele acusou o Bloco Quebequense de rejeitar o plano "sem sequer tê-lo lido" e os Conservadores de fazerem "exigências simplesmente ridículas".
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Naquele momento, MacKinnon admitiu estar preocupado com uma nova eleição, acusando os adversários de "irresponsáveis" e de "interpretarem errado o humor dos canadenses".
Menos de 24 horas depois, no entanto, o tom mudou. Na quarta-feira, MacKinnon suavizou sua posição, afirmando que os Liberais "não acham que uma eleição seja necessária". "Temos um parlamento minoritário, mas acreditamos que temos um mandato", disse, ponderando que, "se tiver que haver uma eleição, levaremos nosso plano confiantemente ao povo".
Outros membros da bancada liberal seguiram a linha de minimizar os riscos. O Chefe de disciplina partidária (Whip) do Governo, Mark Gerretson, disse estar "muito confiante" na aprovação, insistindo que os canadenses não querem outra votação "depois de menos de sete meses". O presidente da bancada, James Maloney, ecoou o sentimento, declarando não estar "preocupado nesta fase" e confiando na "força" do orçamento.
O deputado Corey Hogan tentou apelar para a cooperação, citando desafios internacionais, como a disputa comercial com os Estados Unidos, mas admitiu a volatilidade do cenário: "Eu sempre tenho preocupações em um Parlamento minoritário, qualquer coisa pode acontecer."
Enquanto os deputados tentam controlar a narrativa, as negociações de bastidores estão a todo vapor.
O Ministro das Finanças, François-Philippe Champagne, evitou falar sobre alianças, classificando as perguntas como "jogo de cena político". Pressionado sobre fazer concessões à oposição, Champagne afirmou que está ouvindo "os canadenses, não os políticos".
O próprio primeiro-ministro Carney deve detalhar as prioridades do governo em um discurso pré-orçamento ainda nesta quarta-feira.
No entanto, o poder de decisão está nas mãos da oposição. O líder do Bloco Quebequense, Yves-François Blanchet, que já listou demandas "inegociáveis", encontrou-se com Carney pela manhã e descreveu a reunião apenas como "sim" (indicando que foi positiva).
O líder conservador, Pierre Poilievre, que também tem reunião agendada, já formalizou suas exigências em carta aberta, incluindo um teto de $ 42 bilhões para o déficit federal.
O líder interino do NDP, Don Davies, colocou toda a pressão de volta no governo. Em comunicado, Davies disse que é tarefa de Carney "elaborar um orçamento que consiga garantir os votos da maioria". Embora tenha afirmado que o NDP prefere "fazer o Parlamento funcionar", ele deixou claro quem culparia por um fracasso: "Qualquer eleição será uma escolha do Sr. Carney."