Redução de residentes temporários no Canadá deve frear economia, alerta economista

Canadá corta vistos de estudantes e trabalhadores; economista prevê freio no crescimento, mas alívio para jovens que buscam emprego

Por Luana Saturnino | LJI Reporter-
4 Min

Foto: Stephen Lubig/CBC

O plano do governo federal Liberal de desacelerar a imigração nos próximos anos terá um custo para a economia canadense, prejudicando o crescimento, segundo a análise de um economista.

O orçamento federal recente confirmou a política de reduzir a fatia de residentes temporários na população, dos atuais 7,5% (registrados no fim de 2024) para uma meta de 5%. Contudo, o prazo para atingir esse objetivo foi estendido em um ano, passando para 2027.

Em termos numéricos, o plano significa admitir 385.000 residentes temporários (trabalhadores e estudantes) em 2026, e 370.000 por ano em 2027 e 2028. O corte é mais visível entre os trabalhadores temporários, caino de quase 368.000 planejados para 2025 para 230.000 em 2026.

 

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Stephen Brown, da Capital Economics, adverte que as metas de Ottawa podem ser difíceis de atingir. Ele explica que o fluxo de saídas de residentes temporários não tem sido suficiente para compensar as novas entradas, em parte porque muitas permissões de trabalho são estendidas, permitindo que empresas mantenham seus funcionários. Na visão dele, será necessária "forte vontade política" para implementar a redução.

Brown vê o comprometimento renovado do governo com essa meta como um sinal de que "estão falando sério". Se o plano for bem-sucedido, as projeções da Capital Economics indicam que a população do Canadá pode ficar estagnada nos próximos dois anos.

Com menos trabalhadores novos e um problema crônico de baixa produtividade, Brown acredita que o crescimento econômico será inevitavelmente freado. Ele pondera, no entanto, que o impacto pode ser parcialmente mitigado por outras medidas do orçamento, como focar em mais migrantes econômicos (com habilidades específicas) e acelerar o reconhecimento de diplomas estrangeiros.

Uma das mudanças mais drásticas no plano, que ainda precisa de aprovação parlamentar, é o corte de quase 50% no número de vistos de estudantes internacionais, política que deve durar até 2028.

Brown vê um lado positivo nessa redução: ela pode diminuir a competição por empregos para os jovens canadenses (15 a 24 anos), que hoje enfrentam a maior taxa de desemprego em 15 anos (excluindo a pandemia). "Com menos trabalhadores temporários, os jovens canadenses devem encontrar vagas mais facilmente", afirma.

 

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No debate sobre habitação, os economistas se dividem. Rachel Battaglia, do RBC, sugere que menos estudantes internacionais pode aliviar os preços dos aluguéis em cidades universitárias.

Brown, por outro lado, teme que a mesma redução desmotive construtoras a investir em novos apartamentos para alugar, justamente o tipo de moradia que atende estudantes e recém-chegados, o que poderia piorar a oferta de unidades. Ele questiona se os incentivos do governo para a construção serão suficientes se o crescimento populacional e dos aluguéis diminuir.

Battaglia, do RBC, conclui que este novo plano é uma "mudança muito menor" do que a reforma do ano passado. Ela também nota que isenções pontuais para acelerar a residência permanente de temporários já no país ajudarão a "amortecer o golpe" do esperado congelamento populacional.

FONTE: Luana Saturnino | LJI Reporter - Redação North News com informações The Canadian Press