Qual é o "salário digno" em Ontário e o quanto é realmente preciso para viver?

O mínimo na província é $17.60, mas o "salário digno" na GTA é $27.20; entenda a lacuna e quanto custa viver na província

Por Luana Saturnino | LJI Reporter-
4 Min

Qual é o "salário digno" em Ontário e o quanto é realmente preciso para viver?
Foto: Stephen Llewllyn/The Daily Gleaner/Postmedia files

Um novo relatório destaca uma disparidade alarmante de quase $10 por hora entre o salário mínimo legal em Ontário e o valor que um trabalhador necessita para viver com estabilidade na Região Metropolitana de Toronto (GTA).

Desde 1º de outubro, o salário mínimo provincial foi reajustado para $17.60 por hora, após um aumento de 40 centavos. Este valor é o segundo mais alto do Canadá, ficando atrás apenas dos $17.85 da Colúmbia Britânica.

Contudo, esse mínimo legal está longe de ser suficiente. A Rede do Salário Digno de Ontário (OLWN) calcula que, para viver de forma confortável na GTA, um trabalhador em tempo integral precisa de $27.20 por hora. Isso representa uma lacuna de $9.60 em relação ao que a lei exige.

O cálculo da OLWN é baseado nas despesas de subsistência em 10 regiões da província, considerando três modelos familiares: um adulto solteiro, um pai ou mãe solo, e um casal com duas crianças pequenas. A análise inclui custos essenciais como alimentação, moradia, transporte, creche e lazer, além de impostos e benefícios governamentais. A metodologia não considera a capacidade de economizar (poupança).

Craig Pickthorne, diretor de comunicações da OLWN, explicou o impacto dessa diferença em entrevista ao CTV News Toronto: "Quem trabalha pelo salário mínimo enfrentará um déficit de $336 por semana."

"A distância entre o salário mínimo e o salário digno é gritante", acrescentou Pickthorne. "E a cada ano que refazemos os cálculos, essa diferença só aumenta."

O cálculo do ano passado para a GTA era de $26 por hora, o que significa que o aumento para 2025 foi de 4,6%.

Segundo Pickthorne, esse aumento foi menos acentuado que em anos anteriores e em comparação com outras áreas. A região sudoeste de Ontário (de Sarnia a Windsor) teve o maior salto, 8,3%, passando de $19.85 para $21.50 por hora.

O principal fator por trás dessas altas, segundo Pickthorne, é o custo da moradia. "Se em anos anteriores os alimentos pesavam mais no aumento, este ano o impacto foi menor. O aluguel é responsável por 30 a 40 por cento do cálculo do salário digno, e qualquer aumento nele tem uma influência massiva", detalhou.

Uma análise separada do site imobiliário Zoocasa revelou um cenário ainda mais difícil. Para alugar um apartamento de um quarto em Toronto de forma "acessível" (gastando no máximo 32% da renda bruta), um indivíduo precisaria ganhar $86.062 por ano, o equivalente a $44.13 por hora. Esse valor é 151% maior que o salário mínimo provincial e 62% superior ao "salário digno" calculado pela OLWN.

Pickthorne nota que os custos exorbitantes de aluguel na GTA estão causando um "êxodo em massa" de residentes, o que, por sua vez, está inflando os preços nas regiões vizinhas.

Ele cita como exemplo a área de Bruce Grey Huron Perth Simcoe (que vai de Stratford a Barrie). Com mais pessoas se mudando para lá, o salário digno local subiu 6,7%, atingindo $24.60 por hora.

Os valores do salário digno por hora em Ontário para 2025 são: $27.20 na Região Metropolitana de Toronto; $24.60 em Bruce Grey Huron Perth Simcoe; $23.40 em Ottawa; $23.00 em Dufferin Guelph Wellington Waterloo; $22.60 em Hamilton; $22.20 na região Leste; $21.50 na região Sudoeste; $21.40 em Brant Haldimand Norfolk Niagara; $21.10 na região Norte; e $21.05 em London Elgin Oxford.

Uma pesquisa conjunta da OLWN e do Centro Canadense de Políticas Alternativas (dados de julho/2024 a junho/2025) revelou que 17,3% dos trabalhadores de Toronto ganham abaixo do salário digno. A desigualdade racial é profunda: 20,1% dos trabalhadores racializados estão nessa situação, contra 12,1% dos não racializados.

Em toda a província, a diferença salarial entre trabalhadores racializados e não racializados fica entre sete e 10 pontos percentuais. A maior disparidade foi encontrada na Grande Sudbury, onde 36% dos trabalhadores racializados ganham menos que o salário digno, em comparação com 16,5% dos não racializados.

As mulheres em Toronto também são desproporcionalmente afetadas: 20,4% delas ganham abaixo do salário digno, em comparação com 14,4% dos homens. O grupo mais impactado é o de mulheres racializadas em Toronto, onde 23,4% recebem menos que o necessário para viver.


FONTE: Luana Saturnino | LJI Reporter - Redação North News

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