A economia canadense manteve um ritmo constante de geração de empregos em junho, impulsionada em grande parte pelo excelente início do mercado de trabalho de verão para os jovens. Apesar do cenário positivo, economistas alertam que ainda existem pontos de atenção.
De acordo com a Pesquisa de Força de Trabalho divulgada pelo órgão oficial de estatísticas do país (Statistics Canada) nesta sexta-feira, o mercado de trabalho canadense ganhou 18 mil novos postos líquidos no mês passado.
Com esse resultado, a taxa geral de desemprego caiu de 6,6% em maio — mês que registrou um expressivo acréscimo de 88 mil vagas — para 6,5% em junho. Por outro lado, os setores mais afetados pelas incertezas econômicas e pelas tarifas comerciais, como a indústria manufatureira, apresentaram retração.
"Não foi um relatório espetacular, mas mostra que o mercado de trabalho continua caminhando na direção certa", avaliou Brendon Bernard, economista sênior do portal de empregos Indeed Canada, em comunicado oficial.
O relatório aponta que 33 mil trabalhadores com idades entre 15 e 24 anos conseguiram emprego em junho, um desempenho superior ao registrado no mesmo período do ano passado. O desemprego entre os jovens caiu 0,7 ponto percentual em relação a maio, fixando-se em 12.7% — bem abaixo dos 14,2% registrados um ano antes.
A grande maioria desses profissionais mais jovens — cerca de 25 mil — garantiu vagas de meio período (part-time). Entre os estudantes que pretendem retomar as aulas após as férias e que têm entre 15 e 24 anos, a taxa de desemprego ficou em 15,3%, uma melhora comparada aos 17,4% do ano anterior. Esse público encontrou oportunidades principalmente nos setores de comércio varejista (25,7%), hotelaria e alimentação (23,3%) e nas áreas de informação, cultura e lazer (13%).
"As condições do mercado de trabalho seguraram a melhora acima do esperado que vimos em maio. O recuo do desemprego geral para 6,5% foi liderado justamente pela queda no desemprego juvenil por conta do aquecimento das vagas de verão", explicou Nathan Janzen, economista-chefe assistente do Royal Bank of Canada (RBC). Contudo, ele ponderou: "O mercado ainda não está totalmente forte e o desemprego continua acima dos padrões normais."
A indústria manufatureira foi a que mais sofreu no mês passado, eliminando 17 mil postos de trabalho (uma queda de 0,9%). O dado consolida uma tendência preocupante: cerca de 61 mil empregos industriais foram extintos desde o pico mais recente registrado em janeiro de 2025.
O setor agrícola também sentiu o impacto, com o fechamento de 7,6 mil vagas (recuo de 3,3%), enquanto o setor de serviços públicos (utilities) perdeu 7,3 mil postos (queda de 4,3%).
"O mercado de trabalho do Canadá finalmente teve um momento de alívio em junho", afirmou Anupriya Gangopadhyay, economista do Business Data Lab e da Câmara de Comércio do Canadá. "Ainda assim, a recuperação é irregular. As perdas na indústria, na agricultura e nos serviços públicos nos lembram que alguns setores da economia continuam sob forte pressão."
A economia do Canadá vem tentando se equilibrar em meio a um cenário de muitas incertezas, decorrente de mais de um ano de políticas tarifárias do presidente norte-americano Donald Trump e de tensas negociações comerciais no âmbito do CUSMA (o acordo entre Canadá, Estados Unidos e México).
Para complicar o panorama comercial, a guerra no Irã provocou uma forte alta nos preços do petróleo e de outras commodities nos últimos meses, o que pode se traduzir em custos mais elevados tanto para as empresas quanto para os consumidores finais.
"Os pontos fracos do relatório se concentraram na indústria e na construção civil, que caíram em junho e reverteram os ganhos que tinham apresentado em maio", destacou Bernard. "O desempenho de ambos os setores, especialmente o manufatureiro, tem sido tímido, um sinal de que a economia ainda está longe de funcionar com força total."
Um relatório de projeções divulgado pela consultoria Deloitte no mês passado descreveu a economia canadense como "em pausa". Segundo a consultoria, o maior problema é que a incerteza generalizada faz com que as empresas hesitem em fazer novos investimentos até que haja um cenário mais claro no horizonte. E menos investimento, consequentemente, significa menos empregos criados.
"Embora parte da volatilidade recente do mercado pareça estar diminuindo, o cenário global e as dúvidas comerciais mais amplas ainda nublam as perspectivas futuras", resumiu Gangopadhyay.
Este relatório de empregos de junho será a última grande radiografia econômica avaliada pelo Banco Central do Canadá (Bank of Canada) antes de sua próxima decisão sobre a taxa básica de juros, que será anunciada na quarta-feira.
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