PF prende Bolsonaro em Brasília após ordem do STF

Ex-presidente teve prisão domiciliar convertida em preventiva por Alexandre de Moraes, que apontou risco de fuga e violação de monitoramento eletrônico

Por Júnior Mendonça | Redação North News-
3 Min

PF prende Bolsonaro em Brasília após ordem do STF
Foto: REUTERS/Mateus Bonomi

O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) foi preso preventivamente na manhã deste sábado (22) pela Polícia Federal (PF), em Brasília.

A ordem foi expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que converteu a prisão domiciliar — regime em que Bolsonaro se encontrava desde agosto — em privação de liberdade em regime fechado.

De acordo com fontes ligadas à operação, agentes da PF chegaram ao condomínio Solar de Brasília, no bairro Jardim Botânico, por volta das 6h35.

Bolsonaro foi detido sem oferecer resistência e encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde permanece em uma sala especial, separado dos demais detentos.

 

Motivação da prisão

A decisão de Moraes fundamentou-se em relatórios de inteligência da Polícia Federal que indicaram uma tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica por volta da meia-noite de sexta-feira (21). O ministro citou "risco concreto e imediato de fuga" como justificativa para a medida cautelar.

Além da questão técnica do monitoramento, a decisão mencionou a aglomeração de apoiadores em frente à residência do ex-presidente na noite anterior.

O ato, descrito pela defesa e aliados como uma "vigília religiosa" convocada pelo senador Flávio Bolsonaro, foi interpretado pelo magistrado como uma manobra para causar tumulto e facilitar uma eventual evasão, violando as restrições de contato e reunião impostas anteriormente.

 

Contexto jurídico

A prisão ocorre dois meses após a Primeira Turma do STF condenar Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

A defesa aguardava o julgamento de recursos em liberdade vigiada, mas o descumprimento das cautelares acelerou o encarceramento.

Bolsonaro já cumpria prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto de 2025, após ter sido flagrado mantendo contatos não autorizados com outros investigados na trama golpista.

 

Reações da defesa e aliados

A defesa do ex-presidente, liderada pelos advogados Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno, divulgou nota oficial classificando a prisão como desproporcional e afirmando ter recebido a notícia com "profunda perplexidade".

"A prisão preventiva está calcada em uma interpretação equivocada de uma vigília de orações. A Constituição garante a liberdade religiosa e de reunião. O ex-presidente encontrava-se em sua casa, monitorado, sem qualquer intenção de fuga", diz o comunicado.

Os advogados informaram que entrarão com recurso pedindo a revogação imediata da medida ou o retorno ao regime domiciliar por questões humanitárias e de saúde.

Aliados políticos reagiram prontamente. O ex-secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, publicou nas redes sociais que a prisão num sábado é "vergonhosa". Governadores ligados ao ex-presidente, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), manifestaram solidariedade, reiterando a crença na inocência de Bolsonaro.

 

Próximos passos

Jair Bolsonaro deve passar por audiência de custódia ainda neste fim de semana, possivelmente no domingo (23).

A Primeira Turma do STF deve analisar e referendar a decisão monocrática de Moraes na sessão da próxima segunda-feira. Enquanto isso, a segurança no entorno da Superintendência da PF foi reforçada para evitar confrontos entre manifestantes favoráveis e contrários à prisão.


FONTE: Júnior Mendonça | Redação North News

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