O ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) foi preso preventivamente na manhã deste sábado (22) pela Polícia Federal (PF), em Brasília.
A ordem foi expedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que converteu a prisão domiciliar — regime em que Bolsonaro se encontrava desde agosto — em privação de liberdade em regime fechado.
De acordo com fontes ligadas à operação, agentes da PF chegaram ao condomínio Solar de Brasília, no bairro Jardim Botânico, por volta das 6h35.
Bolsonaro foi detido sem oferecer resistência e encaminhado para a Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal, onde permanece em uma sala especial, separado dos demais detentos.
Motivação da prisão
A decisão de Moraes fundamentou-se em relatórios de inteligência da Polícia Federal que indicaram uma tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica por volta da meia-noite de sexta-feira (21). O ministro citou "risco concreto e imediato de fuga" como justificativa para a medida cautelar.
Além da questão técnica do monitoramento, a decisão mencionou a aglomeração de apoiadores em frente à residência do ex-presidente na noite anterior.
O ato, descrito pela defesa e aliados como uma "vigília religiosa" convocada pelo senador Flávio Bolsonaro, foi interpretado pelo magistrado como uma manobra para causar tumulto e facilitar uma eventual evasão, violando as restrições de contato e reunião impostas anteriormente.
Contexto jurídico
A prisão ocorre dois meses após a Primeira Turma do STF condenar Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.
A defesa aguardava o julgamento de recursos em liberdade vigiada, mas o descumprimento das cautelares acelerou o encarceramento.
Bolsonaro já cumpria prisão domiciliar desde o dia 4 de agosto de 2025, após ter sido flagrado mantendo contatos não autorizados com outros investigados na trama golpista.
Reações da defesa e aliados
A defesa do ex-presidente, liderada pelos advogados Celso Vilardi e Paulo Cunha Bueno, divulgou nota oficial classificando a prisão como desproporcional e afirmando ter recebido a notícia com "profunda perplexidade".
"A prisão preventiva está calcada em uma interpretação equivocada de uma vigília de orações. A Constituição garante a liberdade religiosa e de reunião. O ex-presidente encontrava-se em sua casa, monitorado, sem qualquer intenção de fuga", diz o comunicado.
Os advogados informaram que entrarão com recurso pedindo a revogação imediata da medida ou o retorno ao regime domiciliar por questões humanitárias e de saúde.
Aliados políticos reagiram prontamente. O ex-secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, publicou nas redes sociais que a prisão num sábado é "vergonhosa". Governadores ligados ao ex-presidente, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), manifestaram solidariedade, reiterando a crença na inocência de Bolsonaro.
Próximos passos
Jair Bolsonaro deve passar por audiência de custódia ainda neste fim de semana, possivelmente no domingo (23).
A Primeira Turma do STF deve analisar e referendar a decisão monocrática de Moraes na sessão da próxima segunda-feira. Enquanto isso, a segurança no entorno da Superintendência da PF foi reforçada para evitar confrontos entre manifestantes favoráveis e contrários à prisão.
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