Tragédia em Hong Kong já tem 151 mortes

14 pessoas já foram detidas enquanto a cidade enfrenta seu incêndio mais mortal em 75 anos

Por Júnior Mendonça, da Redação North News-
4 Min

Foto: Chan Long Hei/AP

O número de mortos no devastador incêndio que consumiu o complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, subiu para 151 nesta segunda-feira (1º), conforme equipes de resgate continuam a varredura nos escombros carbonizados.

O desastre, que já é considerado o incêndio mais letal de Hong Kong desde 1948, expôs falhas graves de segurança e negligência na construção civil, gerando uma onda de indignação pública que o governo local tenta conter.

 

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A escala da tragédia

O fogo, que teve início na tarde da última quarta-feira (26) e levou quase 48 horas para ser totalmente extinto, atingiu sete das oito torres do complexo habitacional, onde viviam cerca de 4.800 pessoas. Até a manhã de hoje, além das 151 mortes confirmadas, as autoridades revisaram o número de desaparecidos para cerca de 40 pessoas.

Entre as vítimas fatais estão idosos, crianças e pelo menos dez trabalhadoras domésticas migrantes (nove indonésias e uma filipina). Um bombeiro de 37 anos também perdeu a vida durante as operações de resgate na semana passada.

 

"Lucro acima da vida": a causa do fogo

O Secretário-Chefe de Hong Kong, Eric Chan, declarou hoje à imprensa que a investigação preliminar aponta para um cenário de negligência criminosa. O complexo, construído na década de 1980, passava por reformas e estava envolto em andaimes de bambu cobertos por redes de nylon e painéis de espuma de poliestireno para proteção das janelas.

Segundo os investigadores, o fogo começou na parte inferior da rede de proteção e se alastrou vertiginosamente para os andares superiores através dos andaimes, criando um "efeito chaminé".

"Eles queriam apenas lucrar à custa da vida das pessoas", afirmou Chan, revelando que testes laboratoriais confirmaram hoje que diversas amostras da rede de proteção utilizadas não atendiam aos códigos de segurança contra incêndio, apesar de certificações iniciais indicarem o contrário.

Os painéis de espuma, altamente inflamáveis, teriam acelerado a propagação das chamas para o interior dos apartamentos, explodindo janelas e prendendo moradores em suas casas.

 

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Prisões e investigação

Até o momento, 14 pessoas foram detidas sob suspeita de homicídio culposo (sem intenção de matar), negligência grave e corrupção. Entre os detidos estão diretores da Prestige Construction & Engineering Company, a empreiteira responsável pela obra, além de consultores e subempreiteiros.

A Comissão Independente Contra a Corrupção (ICAC) de Hong Kong investiga se houve suborno para a aprovação de materiais de construção baratos e inseguros.

Documentos apreendidos mostram que o Departamento de Trabalho já havia emitido múltiplos alertas escritos à empreiteira sobre práticas inseguras nos meses que antecederam a tragédia, sendo a última inspeção realizada apenas uma semana antes do incêndio.

 

Clima na cidade

Hong Kong amanheceu hoje no último dia do luto oficial de três dias. Milhares de cidadãos depositaram flores, brinquedos e cartas em um memorial improvisado próximo ao local. As doações para as famílias desabrigadas já ultrapassam a marca de 900 milhões de dólares de Hong Kong (aprox. US$ 115 milhões).

No entanto, o luto divide espaço com a tensão política. Enquanto a população exige respostas sobre como um edifício residencial pôde se tornar uma armadilha mortal tão rapidamente, o governo tem agido para silenciar críticas. Relatos indicam que autoridades estão monitorando e removendo comentários online que culpam a administração pública pela falta de fiscalização rigorosa, classificando-os como "boatos maliciosos".

A busca pelos desaparecidos continua focada nos blocos mais danificados, onde a integridade estrutural ainda é uma preocupação para as equipes forenses.

FONTE: Júnior Mendonça, da Redação North News