A morte do inglês canadense? Obsessão de Carney por grafia britânica gera revolta
Linguistas criticam 'sotaque britânico' na escrita do Governo Federal e exigem volta do inglês canadense em documentos oficiais.
Foto: The Canadian Press/Justin Tang
Um grupo de acadêmicos e editores está solicitando que o Primeiro-Ministro Mark Carney reverta a recente tendência do governo federal de adotar a ortografia britânica em comunicados oficiais. Segundo eles, essa prática enfraquece a identidade cultural do país.
Em correspondência enviada em meados de dezembro, renomados linguistas e representantes editoriais alertaram que documentos cruciais, como o orçamento federal de 2025, passaram a utilizar formas britânicas — exemplos incluem o uso de "s" em vez de "z" em palavras como globalisation e utilisation.
Para os signatários, a melhor forma de o Canadá demonstrar sua soberania é valorizar seu próprio estilo de escrita.
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O inglês canadense é caracterizado por ser um híbrido histórico: ele mistura influências dos Estados Unidos e do Reino Unido, mas mantém regras próprias consolidadas desde os anos 1970.
Enquanto palavras como colour (cor) seguem o padrão britânico, termos técnicos e verbos como analyze (analisar) ou utilization (utilização) tradicionalmente seguem o padrão norte-americano no Canadá.
Os especialistas argumentam que a adoção repentina de normas puramente britânicas gera confusão e ignora a evolução linguística única da nação, moldada por ondas de imigração e pela convivência com povos indígenas. "O estilo canadense é parte da nossa história", reforça a carta, que ainda não obteve resposta oficial do governo.