Aos gritos de "equilíbrio entre vida pessoal e trabalho", um grupo de servidores públicos de Ontário protestou na última segunda-feira em frente ao prédio onde trabalham, em Mississauga.
O motivo é a insatisfação com a nova obrigatoriedade do retorno integral ao escritório.
Até então, os funcionários podiam trabalhar de casa dois dias por semana. Entretanto, após anos atuando no modelo híbrido, a expectativa agora é que eles compareçam fisicamente ao trabalho todos os dias da semana.
“O modelo híbrido funcionou muito bem para nós”, afirmou uma funcionária enquanto segurava uma bandeira do sindicato CUPE. “Não entendo por que precisamos estar aqui presencialmente todos os dias.”
Bobbette Slater compartilha da mesma frustração. Servidora da província há 17 anos, ela explica que o trabalho remoto parcial permitia equilibrar melhor a vida familiar e, consequentemente, ela sentia que conseguia se dedicar mais ao empregador.
Slater duvida que a escala de cinco dias melhore a produtividade ou a colaboração. “Nos víamos nos dias em que estávamos aqui e a comunicação sempre foi eficaz”, pontuou.
O fim de uma era de flexibilidade
A partir desta segunda-feira, os funcionários do governo de Ontário passaram a ser exigidos no escritório em tempo integral. A medida, anunciada pelo primeiro-ministro Doug Ford em agosto passado, encerra os modelos híbridos que persistiram por mais de cinco anos desde o início da pandemia.
Apesar das queixas de que não há espaço físico suficiente para todos ao mesmo tempo, Ford minimizou a questão, chamando-a de um "pequeno contratempo". "É ótimo ter todos de volta ao trabalho, como qualquer outro cidadão comum", disse Ford. "Você vai lá e aparece cinco dias por semana."
Já Maxine Laing Peart, vice-presidente da unidade do sindicato CUPE Local 966, lembra que muitos colegas se mudaram para longe durante a pandemia e agora perderão horas no trânsito em vez de estarem com suas famílias. Ela sugere que o governo deveria adotar um sistema de rodízio de equipes para evitar a superlotação e manter a eficiência.
Tendência nacional para 2026
A retomada do trabalho presencial em tempo integral é uma tendência que deve ganhar força em 2026. Em fevereiro, será a vez dos servidores públicos de Alberta retornarem obrigatoriamente aos escritórios.
No setor privado, a Rogers Communications também está exigindo o retorno total, seguindo o exemplo de grandes bancos canadenses que, no ano passado, já haviam determinado o comparecimento de, no mínimo, quatro dias por semana.
O risco da "fuga de talentos"
Jelena Zikic, professora da York University, explica que, embora os empregadores argumentem que o presencial favorece a cultura organizacional e a colaboração, os dados da pandemia mostram que as pessoas continuam produtivas em casa.
Ela alerta que imposições unilaterais podem gerar conflitos graves. "Existe muita resistência e o que vemos é que alguns dos melhores profissionais podem simplesmente pedir demissão ao serem forçados a voltar", afirmou Zikic.
Para a especialista, a solução ideal seria colaborativa, focando em prazos e projetos específicos em vez de uma política rígida de "tamanho único".
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