Brasil registra fenômeno semelhante à Aurora Boreal
Entenda o fenômeno - tempestade solar rara - invisível a olho nu e o histórico desse evento.
Possível Aurora Austral registrada no Rio Grande do Sul (Foto: Instagram/@egonfilter)
O céu do Rio Grande do Sul foi palco de um evento raríssimo na última terça-feira (20): a observação de uma possível Aurora Austral.
O fenômeno foi impulsionado pela tempestade solar mais intensa dos últimos 20 anos, que enviou ventos carregados de partículas para os polos magnéticos da Terra.
Embora o termo "Aurora Boreal" seja mais popular (referente ao Hemisfério Norte), o evento ocorrido no Sul é tecnicamente chamado de Aurora Austral.
O registro, que exibe um céu estrelado tingido por tons de roxo e vermelho, foi capturado pelo fotógrafo Egon Filter em Cambará do Sul (RS).
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Segundo o autor, o fenômeno durou poucos minutos e não pôde ser visto a olho nu, exigindo equipamentos fotográficos para ser revelado.
Ciência e a anomalia magnética
A ocorrência em solo gaúcho é favorecida pela Anomalia Magnética do Atlântico Sul, uma região onde o campo magnético da Terra é mais frágil.
Em entrevista à CNN Brasil, o astrofísico Cássio Leandro Barbosa, do Centro Universitário FEI, confirmou que a localização de Cambará do Sul, somada a um evento solar de alta intensidade, torna essa observação possível.
Contudo, o especialista ressalva que ainda existe a possibilidade de o registro ser uma luminescência atmosférica natural.
Em suas redes sociais, Filter detalhou o momento: "Às 21h do dia 20/01/2026, registramos uma faixa roxa ao sul, entre a Via Láctea e a Grande Nuvem de Magalhães. Foi algo rápido e invisível a olho nu".
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Precedente histórico no Rio de Janeiro
Embora pareça algo inédito, o Brasil já teve registros similares no passado. Um estudo de 2024, conduzido pelo pesquisador Denny M. Oliveira, resgatou um relato de 1875.
Naquela ocasião, o astrônomo francês Emmanuel Liais, então diretor do Observatório Imperial (atual Observatório Nacional), avistou uma Aurora Austral em pleno Rio de Janeiro.
Com o auxílio de um espectroscópio, Liais descreveu raios de luz vermelhos e esverdeados movimentando-se sobre a capital fluminense.