A Polícia Regional de York revelou, na manhã desta quinta-feira, os resultados da "Operação South", uma investigação descrita como uma das mais complexas das últimas décadas.
O caso envolve uma rede criminosa composta por sete policiais da ativa e um aposentado do Serviço de Polícia de Toronto, acusados de conspiração para assassinar um oficial de condicional de Ontário e de envolvimento com o crime organizado.
O vice-chefe Ryan Hogan afirmou que a investigação durou sete meses e mobilizou mais de 400 agentes de diversas corporações, incluindo a Polícia Provincial de Ontário e os Serviços Correcionais.
Segundo Hogan, o grupo representava um "risco grave à segurança pública", envolvendo-se em extorsão, roubo, tráfico de armas e de drogas.
O plano de assassinato e vazamento de dados
A investigação teve início em junho de 2025, quando as autoridades detectaram uma trama para matar um membro da gestão prisional de Ontário.
De acordo com a polícia, o policial Timothy Barnhardt teria acessado informações confidenciais sobre a vítima de forma ilegal, repassando-as para Brian Da Costa, apontado como uma figura central no crime organizado da Grande Toronto, com conexões internacionais.
Essas informações foram compartilhadas com outros três suspeitos (Median Jackson, Kaejean Doman e Devonte Barker-Campbell), que teriam sido recrutados para executar o crime.
Câmeras de vigilância registraram o momento em que três homens mascarados e armados foram à residência do agente penitenciário e chegaram a colidir contra uma viatura policial que estava na garagem.
Tráfico de drogas e suborno
Além do plano de homicídio, a investigação revelou que quatro dos policiais envolvidos — Timothy Barnhardt, Robert Black, Saurabjit Bedi e Carl Grellette — operavam sob a orquestração de Da Costa para proteger pontos de venda ilegal de cannabis. Em troca de propinas, os agentes garantiam que esses locais ficassem imunes a investigações policiais.
No momento da prisão de Da Costa, em janeiro deste ano, foram apreendidos cerca de 76 kg de cannabis e quase meio quilo de fentanil, que teriam como destino o mercado europeu.
Corrupção sistêmica: de roubo de documentos a laços familiares
Entre os detidos, destaca-se o envolvimento de pai e filho: o policial aposentado John Madeley (Sr.) e seu filho, o policial da ativa John Madeley (Jr.), ambos acusados de vazar dados sigilosos para criminosos.
Outra acusação grave recai sobre o oficial Derek McCormick, que teria roubado propriedades pessoais — incluindo passaportes, carteiras de habilitação e cartões de saúde — de dentro de uma instalação policial.
Desdobramentos e suspensões
O Chefe de Polícia Jim MacSween lamentou o ocorrido, reforçando que os dados vazados pelos oficiais alimentaram tiroteios e outros crimes violentos na região. Até o momento, os policiais identificados como suspeitos são:
Quatro dos oficiais já foram suspensos sem remuneração. Em nota, a Associação de Polícia de Toronto afirmou estar ciente das prisões e garantiu que os membros terão direito ao devido processo legal, mas evitou comentar detalhes da investigação.
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