Empresas privadas de limpeza de neve acenderam o sinal de alerta: o sal rodoviário está em falta. Segundo os empresários do setor, o racionamento começou antes mesmo do inverno deste ano chegar oficialmente.
"Estamos enfrentando um inverno rigoroso", afirma Alex Ferrante, do Gateway Landscape Group. "O frio começou cedo, ainda em novembro, e agora precisamos usar o estoque com muita cautela."
O sal grosso, apelidado de "ouro líquido" nesta época do ano, tornou-se um item de luxo e difícil de encontrar para prestadores de serviço privados. Christopher Arnts, de uma fornecedora em Whitby (Ontário), usou o Instagram para informar os clientes sobre a alta demanda e a oferta limitada. "Em 9 de novembro já estávamos espalhando sal, a data mais cedo que já vi em toda a minha carreira", relatou Arnts.
Prateleiras vazias e alternativas
O consumidor comum também deve sentir o impacto. Ao ser questionada pelo CityNews sobre a falta de estoque, a rede The Home Depot informou que está trabalhando para gerenciar o inventário de sal e degeladores, mas sugeriu que os clientes considerem alternativas como areia e brita para tração, além do uso reforçado de pás e sopradores de neve.
Esta não é a primeira vez que o setor sofre. Em 2025, Ontário já havia enfrentado uma escassez significativa devido às frequentes tempestades. "A falta de sal em fevereiro passado esgotou as reservas da região", explicou Arnts.
Preços disparam quase 300%
A produção de sal é baseada na média dos invernos anteriores. Como os quatro anos anteriores a 2025 foram mais "leves", a produção não acompanhou a demanda atual. O resultado foi uma explosão no custo: o preço do sal no atacado saltou de aproximadamente US$ 65/70 por tonelada para quase US$ 190.
Além do preço, há a pressão jurídica. Muitas empresas se sentem obrigadas a usar mais sal do que o necessário por medo de processos judiciais em caso de quedas e acidentes em propriedades privadas.
Cidades vs. Setor Privado
A boa notícia é que a falta de sal não afeta a cidade de Toronto. A prefeitura informou que possui contratos exclusivos com três fornecedores que garantem o estoque para as vias públicas. O problema é que esses fornecedores priorizam os governos municipais para manter as ruas seguras, o que acaba prejudicando os contratantes privados que cuidam de calçadas, condomínios e estacionamentos comerciais.
Com pelo menos mais dois meses de inverno pela frente, o setor agora torce por uma primavera antecipada.
• Acompanhe o North News em todas as plataformas •
Facebook
Canal no Whatsapp
X
Instagram (perfil principal)
Instagram (perfil secundário devido aos bloqueios da Meta)
Threads
Grupo no Whatsapp