Os pais de dois ex-jogadores do time de hóquei Timmins Majors (categoria Sub-18 AAA) alegam que seus filhos foram vítimas de um padrão contínuo de agressões sexuais, trotes humilhantes e bullying durante esta temporada. Eles denunciam ainda que o órgão independente da Hockey Canada (ITP), responsável por investigar má conduta, não deu retorno quase dois meses após ser informado sobre os incidentes.
A mãe de um dos ex-atletas, identificado aqui como "John Doe 1" para preservar sua segurança, solicitou anonimato. Ela teme que o filho, que agora joga em outra equipe, seja colocado em uma "lista negra" por quebrar o silêncio sobre os abusos, que teriam ocorrido em vestiários, no ônibus do time e durante viagens.
"Isso destruiu meu filho", desabafou a mãe. "Ele tentou entrar nesse time por dois anos seguidos. Disseram para ele trabalhar duro e ficar mais forte; ele conseguiu. Estava orgulhoso e animado. Agora, após fazermos a coisa certa e denunciar, o time tenta esconder e enterrar o caso."
Segundo o relato, o comportamento inapropriado incluía jogadores urinando em colegas mais novos, simulação de atos sexuais no chuveiro, veteranos esfregando-se em novatos nus sem consentimento e o compartilhamento de vídeos sexualmente explícitos em grupos de mensagens da equipe.
Falha na Investigação
A mãe de John Doe 1 afirmou ter relatado os episódios a uma gestora de casos do ITP em 22 de janeiro. Embora o órgão tenha poder para disciplinar jogadores e treinadores, a Hockey Canada é conhecida por manter essas decisões sob sigilo. Após o contato inicial, a família nunca mais recebeu retorno das autoridades esportivas.
Diante do silêncio, ela registrou uma queixa formal na Sociedade de Ajuda à Infância (Children’s Aid Societies), agência governamental que investiga abusos contra menores em Ontário.
Cultura de Vestiário Tóxica
O porta-voz da Hockey Canada e os responsáveis pelo ITP informaram que não podem comentar casos específicos por questões de confidencialidade. Já o advogado do time de Timmins declarou, em nota, que a organização leva as alegações a sério, mas que não se manifestará publicamente por envolver menores de idade.
Contudo, o pai de outro jogador ("John Doe 2"), que deixou a equipe em dezembro, trouxe detalhes ainda mais perturbadores. Ele confrontou o treinador principal, Shawn McArthur, em outubro, relatando que seu filho presenciara veteranos urinando em colegas e exibindo os órgãos genitais de forma agressiva.
A resposta do treinador, segundo o pai, foi alarmante: "Você deveria ter visto como era aqui no ano passado, era ainda pior". O pai questiona: "Se era tão ruim, por que os adultos responsáveis não agiram para interromper esse comportamento?".
Promessas Vazias e Retaliação
Em um e-mail enviado aos pais em outubro de 2025, o gerente geral do time, Ron Holmes, admitiu "incidentes inaceitáveis, incluindo comportamentos sexuais que não têm lugar em nenhum ambiente esportivo". Apesar de prometer "tolerância zero", o e-mail não mencionou punições concretas aos envolvidos.
John Doe 2 relatou novos abusos após essa reunião: veteranos forçando novatos a manipularem preservativos usados, uso de fita adesiva para depilar as pernas e partes íntimas de colegas à força, e até ameaças com tesouras. O jovem também afirmou ter sofrido bullying da própria equipe técnica, que ironizava lesões e fazia comentários depreciativos sobre sua aparência física.
A disputa escalou quando o jogador tentou sair do time. A diretoria teria tentado bloquear sua transferência, exigindo o pagamento de cerca de 2.800 dólares canadenses em taxas pendentes e ameaçando a família com processos por difamação caso continuassem a criticar a organização.
Investigação Policial
O caso tomou um rumo oficial quando o jovem relatou os abusos a um conselheiro escolar em março. A polícia de Timmins confirmou que está nos estágios iniciais de uma investigação criminal sobre a equipe.
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