Polícia de Toronto proíbe protestos pró-Palestina em áreas residenciais: Entenda a nova medida e a polêmica por trás dela

Polícia de Toronto restringe manifestações em ruas residenciais de North York e cria unidade antiterrorismo após aumento de incidentes de ódio. Saiba mais.

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Polícia de Toronto proíbe protestos pró-Palestina em áreas residenciais: Entenda a nova medida e a polêmica
Chris Young

O vice-chefe da Polícia de Toronto, Frank Barredo, defendeu a nova proibição de manifestações pró-Palestina em áreas residenciais de uma comunidade predominantemente judaica em North York. Barredo classificou a medida como uma "limitação razoável" aos direitos garantidos pela Carta Canadense de Direitos e Freedoms.

Em conferência de imprensa realizada nesta terça-feira, Barredo confirmou a restrição, mas esclareceu que os manifestantes ainda podem ocupar a região das avenidas Bathurst Street e Sheppard Avenue. O que não será mais permitido é o deslocamento para as ruas laterais, estritamente residenciais.

"As pessoas ainda podem protestar na Bathurst com a Sheppard e ao longo dessas vias principais. O que vamos impedir é a entrada em áreas residenciais nos arredores", afirmou. Quem desrespeitar a regra receberá primeiro um aviso verbal, mas poderá ser preso e acusado de obstrução do trabalho policial caso não cumpra a ordem.

A região tem sido palco de constantes protestos desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro. Segundo Barredo, por enquanto, a proibição é localizada e não se aplica a toda a cidade, embora possa ser expandida se for considerado "necessário".

Equilíbrio de direitos e críticas

A polícia afirma ter analisado cuidadosamente o equilíbrio entre o direito de protesto e o sossego dos moradores. "Não se trata de cercear direitos além do estritamente necessário", disse o vice-chefe, reforçando que o foco é proteger "ruas tranquilas onde não há nada além de pessoas vivendo em suas casas".

A decisão dividiu opiniões. O vereador James Pasternak celebrou a medida, afirmando que ela já "deveria ter sido tomada há muito tempo". Por outro lado, a Associação Canadense de Liberdades Civis (CCLA) expressou preocupação com a violação da liberdade de expressão e assembleia.

"O espaço público pertence ao povo. Uma democracia deixa de ser saudável se a polícia silencia a dissidência pacífica e atua como árbitra do que é um local ou discurso aceitável", declarou Bussières McNicoll, diretor da CCLA. Em resposta, Barredo reiterou que os direitos da Carta estão sujeitos a limites razoáveis e que a polícia buscou aconselhamento jurídico antes de agir.

Nova unidade antiterrorismo

Além da proibição, o chefe de polícia de Toronto, Myron Demkiw, anunciou duas novas iniciativas para "prevenir e interromper a violência extremista e o terrorismo".

Citando a instabilidade global e a crescente polarização em Toronto, Demkiw apresentou uma nova unidade de segurança antiterrorismo. O objetivo é oferecer mais recursos para lidar com o extremismo e o aumento de crimes de ódio locais, incluindo recentes disparos contra sinagogas. "Precisamos dos recursos adequados para enfrentar essas novas realidades. Trata-se de ser proativo", concluiu.


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