O "imposto" do futuro: como o governo Ford está endividando uma geração

(Vídeos) Ocupação em Queen’s Park: Mais de 350 manifestantes exigem o fim do endividamento estudantil e a reversão dos cortes no OSAP

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O "imposto" do futuro: como o governo Ford está endividando uma geração
Fotos: Annays Medeiros, especial para o North News

Na terça-feira, 2 de Março, mais de 350 pessoas incluindo estudantes, pais, membros da comunidade e trabalhadores, reuniram-se no Queen’s Park por volta das 13h para protestar contra a decisão do governo Ford de aumentar as mensalidades do ensino pós-secundário e implementar mudanças consideradas prejudiciais no financiamento do Ontario Student Assistance Program (OSAP).

As alterações no OSAP incluem o aumento da proporção de empréstimos para um mínimo de 75% e a redução das bolsas para um máximo de 25%. Anteriormente, o programa oferecia até 85% em bolsas e 15% em empréstimos. Com isso, essas mudanças podem levar estudantes a se formarem com níveis mais elevados de endividamento, ao mesmo tempo em que precisam arcar com custos de mensalidade, moradia e outras despesas de vida.

A manifestação em defesa da vida estudantil ocorreu pela segunda vez desde 4 de Março, reunindo uma multidão que entoava palavras de ordem exigindo que o governo não interferisse na educação dos estudantes.

Os participantes repetiam continuamente frases como “Não mexam com a nossa educação!”, “Não mexam com nossos campos!” e “Não mexam com o nosso OSAP!” enquanto marchavam acompanhando o ritmo dos tambores.

Trudy Kuropatwa Trent, estudante da Toronto Metropolitan University (TMU) e integrante do Student Mobilization Committee, um grupo independente de estudantes organizadores de toda Toronto que luta por uma educação gratuita, democrática e acessível, afirmou estar esperançosa com a mobilização.

“Estávamos organizando mobilizações de base na TMU e na U of T, e tivemos muitas pessoas de ambas as universidades participando. Estamos muito felizes que a OPSU, a CUPE e também a CFS conseguiram organizar isso”, disse Kuropatwa Trent.

 

 

Ela acrescentou que muitos estudantes estão mobilizados na luta por educação gratuita e exigindo que o governo reverta as mudanças no OSAP e cancele todas as dívidas estudantis.

“Gostaria que todos soubessem que esta é uma luta contínua, e que as pessoas estão entoando agora ‘a educação é um direito, não vamos desistir da luta.’ Estamos aqui com o objetivo final de uma educação gratuita, acessível e democrática, e não vamos desistir dessa luta”, afirmou Kuropatwa Trent.

Cyrielle Ngeleka, estudante da York University e presidente da Canadian Federation of Students Ontario,  a mais antiga e maior organização estudantil do Canadá, representando mais de 350 mil estudantes em toda a província por meio de 35 entidades filiadas, destacou que o protesto não representa o fim da mobilização estudantil.

“O mandato da federação é lutar por um sistema de educação gratuito, acessível e financiado publicamente, e esse sempre será o nosso objetivo,” ela disse.

Ngeleka afirmou que diversas decisões recentes do governo, incluindo anúncios de financiamento, mudanças no OSAP e a aprovação do Projeto de Lei 33 (Bill 33), entrarão em vigor em Setembro. “Portanto, não podemos limitar nossa organização apenas aos momentos de maior visibilidade após um anúncio; precisamos mobilizar nossa base de forma constante, dizendo aos estudantes que as nossas condições atuais estão problemáticas e temos o poder de fazer algo a respeito.”

Segundo ela, essas decisões estão interligadas e refletem uma agenda governamental que prioriza o lucro em detrimento das pessoas, reforçando que os estudantes precisam se unir para pressionar o governo. Ngeleka também mencionou que o governo esteve em recesso por três meses e está retornando nesta semana, o que torna ainda mais importante manter a mobilização contínua, independentemente de novos anúncios. Ela concluiu afirmando que, no fim das contas, os estudantes têm poder e “exigimos uma educação gratuita e acessível.”

Zain Khurram, representante do Toronto Youth Cabinet (TYC), órgão oficial de representação juvenil sediado na Prefeitura de Toronto, fundado em 1998 e atuante há mais de 25 anos na defesa de pautas municipais e provinciais para jovens, ressaltou a importância do OSAP como um instrumento fundamental para transformar vidas por meio da educação.

“Não devemos tratar isso como o último evento. Precisamos continuar lutando, continuar nos organizando e continuar defendendo a nossa educação, porque, no fim das contas, não podemos permitir que nossa educação nos seja tirada e que esses recursos sejam usados em projetos de vaidade do governo,” afirmou.

Khurram também informou que o TYC realizou uma coletiva de imprensa no Queen’s Park e lançou uma petição com o objetivo de interromper e reverter os cortes no OSAP.

“Nós normalmente focamos apenas em questões municipais, mas consideramos extremamente importante abordar uma questão provincial como o OSAP, porque ela impacta todos os jovens de diferentes maneiras”, Khurram disse.

Laura Vu, estudante de Administração na York University e também representante do TYC, afirmou que todos os residentes de Ontário são afetados pelo OSAP, o que motivou a participação no ato. Ela destacou expectativas positivas em relação à organização coletiva dos estudantes e à possibilidade de mudanças futuras.

“Esperamos uma reversão, total transparência e novas mudanças na forma como essas decisões são tomadas, incluindo a participação dos estudantes que são impactados por elas.”

Vu incentivou o público a assinar a petição do Toronto Youth Cabinet, disponível na biografia do Instagram @toyouthcabinet. Segundo ela, embora o TYC atue principalmente em questões municipais, muitas dessas questões ultrapassam os limites da cidade de Toronto e afetam toda a província, o que justifica a atuação no tema.

“Como esses cortes foram implementados imediatamente, devemos esperar que também sejam revertidos imediatamente”, afirmou Vu.

“Queremos deixar claro que não podemos permitir que isso passe despercebido e que os estudantes não devem ser os mais prejudicados. Embora possa haver um déficit financeiro, isso não deve ocorrer às custas do futuro educacional e das oportunidades dos estudantes”, acrescentou, com total transparência.

 


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