Alerta no Canadá: Rede extremista usa táticas de aliciamento para manipular e explorar jovens online
Especialistas alertam sobre a rede "764", que atua em plataformas como Roblox e Discord para induzir crianças e adolescentes ao extremismo, abuso e automutilação.
Divulgação
Especialistas emitiram um alerta urgente sobre uma rede extremista violenta que atua no ambiente digital, visando crianças e adolescentes vulneráveis no Canadá. O grupo utiliza táticas de aliciamento (grooming) para coagir as vítimas a práticas de automutilação, exploração sexual e atos violentos. Diferente de outros crimes cibernéticos, o objetivo central aqui não é financeiro.
"Eles são monstros", afirma Darren Laur, fundador da The White Hatter, empresa especializada em educação para alfabetização digital. "O objetivo deles é infligir o máximo de dano emocional, psicológico e físico possível aos seus alvos."
A rede, conhecida pelo nome "764", já foi classificada como entidade terrorista no Canadá. Especialistas que monitoram o extremismo digital explicam que o grupo caça jovens que buscam amizade, validação ou um sentimento de pertencimento, manipulando-os gradualmente para a execução de atos perigosos e degradantes.
"Estamos começando a ver temas ideológicos idiossincráticos surgindo nessas explorações", aponta Valarie Findlay, especialista em análise de ameaças. "Observamos elementos de supremacia branca, preconceito de gênero, viés racial e diversos outros temas de visão de mundo sendo incorporados aos ataques."
O aliciamento costuma começar em plataformas populares, como Roblox ou TikTok, antes de as conversas serem transferidas para aplicativos criptografados, como Discord ou Telegram, onde o abuso pode escalar longe da supervisão dos pais.
As vítimas são coagidas a se automutilarem, enviarem imagens sexuais, ferirem ou matarem animais e praticarem outros atos de violência. "A profundidade da crueldade que estamos presenciando é algo que não víamos provavelmente desde a década de 1970, com grupos apocalípticos, ocultistas e o chamado 'pânico satânico'", comenta Findlay.
Pais devem ficar atentos aos sinais de alertaPara a especialista, não existem soluções simples para os pais na era digital. "Infelizmente, cabe aos pais estarem muito atentos aos padrões de comportamento de seus filhos e ao que está mudando. Se você conseguir manter uma comunicação aberta e de confiança com seu filho, essa é a sua melhor defesa", recomenda.
O governo federal canadense estuda novas restrições para proteger crianças online, incluindo a possibilidade de limitar o acesso de jovens às redes sociais. Grupos de pais afirmam que essas medidas precisam ser adotadas o quanto antes.
"Está claro que o ambiente não é seguro", diz Robin Sherk, ativista da Unplugged Canada. "É evidente que os pais não conseguem fazer isso sozinhos. É impossível conhecer todas as plataformas que existem e todos os dispositivos que um filho pode acessar."
A trágica perda de uma família em VancouverPara algumas famílias, as consequências dessa exploração foram devastadoras. Jason Sokolowski, pai em Vancouver, relata que sua filha adolescente foi aliciada por alguém que se identificava como "Culprit" — um indivíduo que ele descobriu, mais tarde, ter conexões com a rede 764.
Após a primeira tentativa de suicídio da filha, Sokolowski encontrou evidências de coerção online no laptop dela, enquanto ela estava hospitalizada. "Havia uma lista de tarefas de automutilação... realize esses atos e você ganha status dentro do grupo. Você se torna uma celebridade ali dentro", conta.
Infelizmente, a jovem tirou a própria vida. Sokolowski considera a morte da filha um homicídio e defende que as famílias precisam de proteções muito mais rigorosas.
"Não permitimos que crianças dirijam carros, usem armas ou consumam álcool", argumenta. "As redes sociais estão se revelando tão perigosas para as crianças quanto qualquer uma dessas três coisas."
Sokolowski planeja estar em Ottawa na próxima segunda-feira, 27 de abril, junto a outros pais e jovens de todo o país, para pressionar o governo liberal por medidas que garantam uma proteção real às crianças canadenses.