Crise na saúde: Hospitais de Ontario anunciam cortes de vagas enquanto enfrentam déficits financeiros

Mais de 70% dos hospitais de Ontario preveem déficit. Em meio à crise, instituições cortam postos de trabalho para equilibrar contas. Saiba o que está acontecendo.

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Crise na saúde: Hospitais de Ontario anunciam cortes de vagas enquanto enfrentam déficits financeiros
Justin Tang

Nos últimos meses, diversos hospitais de Ontario anunciaram cortes de postos de trabalho em uma tentativa de reverter problemas financeiros — um cenário que, segundo especialistas, tende a se repetir.

Embora o governo tenha destinado um aporte extra de 1,1 bilhão de dólares para a rede hospitalar este ano, a Associação de Hospitais de Ontario alertou que a necessidade real seria o dobro desse valor. Atualmente, mais de 70% dos hospitais projetam déficits, e alguns já recorrem às suas reservas financeiras para custear despesas operacionais.

O caso mais recente de cortes veio do Hospital de Ottawa, que informou estar adotando medidas como aposentadorias precoces, redução de vagas em aberto, congelamento de viagens a trabalho e a implementação de um plano de benefícios "mais econômico" para lidar com os desafios financeiros.

"Apesar de todos esses esforços, lamentavelmente ainda haverá reduções no quadro de funcionários nos próximos meses", afirmou o hospital em nota oficial. "Esses cortes representam 3% da nossa força de trabalho total. No entanto, por meio do gerenciamento de vagas e opções de aposentadoria precoce, trabalharemos para limitar demissões involuntárias."

"Mudanças são sempre difíceis", diz ministra

No ano passado, o Ministério da Saúde determinou que os hospitais criassem planos trienais para equilibrar seus orçamentos. Medidas de "baixo risco" para gerar economia deveriam ser implementadas imediatamente, enquanto propostas de "alto risco" seriam discutidas em esferas regionais e provinciais.

A ministra da Saúde, Sylvia Jones, declarou que o processo de ajuste orçamentário tem avançado positivamente. "Mudanças são sempre difíceis", disse ela em entrevista recente. "Mas quando observo a liderança demonstrada por organizações como as de Ottawa e London, vejo que conseguem articular claramente o motivo das mudanças. Desde que o foco permaneça no atendimento ao paciente, acredito que estamos na direção certa."

O London Health Sciences Centre está reduzindo cargos na enfermagem para alinhar seus níveis de pessoal aos de hospitais equivalentes. A imprensa local estima que os cortes superem 200 posições, processo que, segundo um porta-voz, ocorrerá gradualmente ao longo de três anos.

Pressões financeiras e operacionais

O Chatham-Kent Health Alliance (CKHA), em busca de zerar seu déficit, anunciou o corte de 49 vagas, sendo metade proveniente da redução da equipe de reserva (float staff). A maior parte da redução será feita pelo não preenchimento de cargos vagos.

"Como muitos hospitais de Ontario, o CKHA enfrenta pressões financeiras e operacionais causadas pelo aumento dos custos, pelo envelhecimento da população, pela complexidade crescente dos atendimentos e pela infraestrutura e equipamentos obsoletos", pontuou o hospital.

Críticas à gestão

Lee Fairclough, crítico do setor hospitalar pelo Partido Liberal, avalia que o cenário atual tornou-se uma realidade difícil para diversas instituições. Ele questionou as prioridades do governo, citando como exemplo o gasto de 29 milhões de dólares em um jato particular para uso do primeiro-ministro Doug Ford — recurso que, segundo ele, cobriria o salário anual de ao menos 300 enfermeiros. "O sistema está sendo espremido há muito tempo", afirmou.

Já o governo defende as medidas. Uma porta-voz de Sylvia Jones afirmou que as mudanças "não devem impactar o atendimento ao paciente ou o acesso aos serviços".

Por outro lado, a crítica do partido NDP, France Gelinas, alerta que, mesmo que os cortes ocorram apenas pelo não preenchimento de vagas, os pacientes sentirão o impacto: "Cada vez que você perde um enfermeiro, um fisioterapeuta, um técnico de laboratório... isso afeta diretamente o atendimento".

Erin Ariss, presidente da Associação de Enfermeiros de Ontario, reforça que a categoria é a mais atingida. "Eles estão tratando enfermeiros como uma mercadoria, em vez de profissionais qualificados que prestam assistência aos pacientes mais complexos de Ontario."


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