Canadá despenca em tradicional ranking dos melhores países do mundo; entenda o motivo
Canadá caiu para a 19ª posição no relatório da U.S. News. Nova análise trocou a reputação por dados reais de saúde, moradia e custo de vida.
Darryl Dyck
O Canadá sofreu uma queda expressiva e agora ocupa a 19ª posição no novo ranking dos melhores países do mundo, ficando uma colocação atrás dos Estados Unidos.
O resultado do relatório U.S. News Best Countries impressiona quando comparado ao desempenho histórico recente do país, que conquistou o quarto lugar em 2024 e a vice-liderança mundial em 2023. No entanto, a própria organização do ranking alerta que a estrutura da avaliação mudou drasticamente.
Em vez de focar principalmente em pesquisas de opinião e percepção do público, o novo modelo avaliou 100 nações usando 100 indicadores estatísticos divididos em oito grandes categorias. Os dados foram extraídos de órgãos internacionais de peso, como as Nações Unidas (ONU) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
"Houve uma movimentação muito grande em comparação com os anos anteriores e nós desaconselhamos as pessoas a fazerem uma comparação direta", explicou Eric Litke, editor-chefe da U.S. News & World Report, em entrevista em vídeo.
Litke ressaltou que a mudança de posição do Canadá não deve ser interpretada como uma decadência geral.
"Nós reconstruímos toda a metodologia do zero este ano. A ideia foi migrar da 'reputação' para a 'realidade', criando uma espécie de boletim do progresso real de cada nação", afirmou.
O relatório acaba revelando em quais setores o Canadá continua brilhando e onde o país precisa, urgentemente, corrigir suas falhas.
Os pontos fortes: Cultura, turismo e estabilidadeO melhor desempenho do Canadá foi na categoria de cultura e turismo, onde alcançou a oitava posição global. Esse setor avalia critérios como influência criativa, patrimônio histórico, apelo turístico e diversidade linguística.
Segundo o perfil traçado pela U.S. News, o modelo multicultural canadense, implementado oficialmente em 1971, continua sendo um pilar fundamental da identidade e da abordagem de imigração do país.
O relatório coincide com o momento atual do país, que vem adotando políticas federais mais rígidas para conter o volume migratório, reduzindo as cotas para novos residentes permanentes, estudantes internacionais e trabalhadores temporários. De acordo com o governo federal, essas medidas servem para equilibrar o mercado de trabalho, conter a crise imobiliária e aliviar a pressão sobre os serviços públicos, como o sistema de saúde.
O Canadá também se destacou pela estabilidade, ficando em 18º lugar em governança — uma das categorias com maior peso na nota final e que mede a eficácia das instituições e a segurança nacional. É nesse indicador que a confiança da população se cruza com os problemas do dia a dia, como o acesso à moradia e a confiança na economia.
Para efeito de comparação, os Estados Unidos, que ficaram uma posição à frente do Canadá no resultado geral, tiveram um desempenho muito irregular. Apesar de liderarem em cultura e turismo e garantirem o segundo lugar em desenvolvimento econômico, os americanos patinaram feio em saúde (33º lugar) e infraestrutura (39º).
Os pontos fracos: Economia, saúde e moradiaO bolso dos canadenses reflete os dados do relatório: o país ficou em 18º lugar em oportunidade e em 21º em desenvolvimento econômico. Essas posições evidenciam a persistente crise no custo de vida enfrentada pela população.
Projeções recentes do setor imobiliário indicam que a falta de moradia acessível já transbordou os limites de grandes metrópoles como Toronto e Vancouver, atingindo cidades que antes eram consideradas viáveis financeiramente, como Ottawa, Montreal e Halifax. O cenário aponta ainda para um ritmo mais lento na construção civil e uma demanda de mercado enfraquecida em várias regiões.
Nas categorias de infraestrutura e saúde, o Canadá ocupou a 20ª e a 27ª posição, respectivamente (além do 27º lugar em bem-estar cívico). Esses setores tocam nas feridas mais expostas dos debates internos do país hoje: o crescimento populacional veloz frente à capacidade de atendimento dos serviços públicos e sistemas de transporte.
Eric Litke explicou que o critério de saúde avaliou muito mais do que a existência de um sistema público:
Lanterna no meio ambiente"Analisamos não apenas a cobertura e os custos, mas também o acesso real e a disponibilidade de profissionais. O Canadá tirou nota 100 em cobertura universal de saúde e mais de 90 em expectativa de vida. Porém, outros indicadores puxaram a média para baixo, como o número de leitos hospitalares e de médicos por habitante."
O pior resultado do Canadá veio na categoria de meio ambiente natural, onde o país amargou a 63ª posição no mundo. O índice mede os esforços na proteção de recursos naturais, qualidade do ar e biodiversidade.
A organização explicou que a análise vai além das paisagens cinematográficas ou da abundância de recursos hídricos. Embora o Canadá pontue muito bem em qualidade do ar e baixa poluição luminosa, perdeu muitos pontos em riqueza de espécies nativas, emissões de carbono, áreas verdes urbanas e práticas de comércio sustentável.
O topo é da EuropaCom a nova metodologia focada em dados brutos e consistência entre todas as categorias, o topo do ranking foi dominado por países europeus, que não dependem de uma única nota excepcional para se destacar. A Suíça liderou o ranking geral, seguida pela Dinamarca e Suécia.
O recado final dos realizadores é que a lista deixou de ser um concurso de popularidade para virar um espelho da realidade estatística.
Os 20 melhores países do mundo (Segundo o novo critério da U.S. News):-
Suíça
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Dinamarca
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Suécia
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Alemanha
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Holanda
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Noruega
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Reino Unido
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Finlândia
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Luxemburgo
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Áustria
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Bélgica
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França
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Irlanda
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Austrália
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Islândia
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Singapura
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Japão
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Estados Unidos
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Canadá
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Coreia do Sul