Um protesto pedindo o fim do que os organizadores classificam como "violência contra ciclistas" está marcado para a noite desta quinta-feira no Little Norway Park, em Toronto. A manifestação acontece poucos dias depois de um ciclista ter sido derrubado e imobilizado por policiais durante uma fiscalização de trânsito na região da Queens Quay.
O clima esquentou ainda mais depois que o advogado do ciclista, David Shellnutt, revelou que seu cliente foi diagnosticado com uma concussão cerebral, além de lesões nos tecidos moles, cortes, hematomas e "trauma psicológico" decorrentes da ação.
A abordagem — gravada em vídeo por testemunhas e amplamente divulgada nas redes sociais — aconteceu no último domingo, 31 de maio, perto da Queens Quay West e Little Norway Crescent. No local, a polícia de Toronto realizava uma operação de fiscalização focada em motoristas e ciclistas que desrespeitam a placa de "Pare".
Em nota oficial, Shellnutt afirmou que o ciclista não recebeu nenhum tipo de socorro ou avaliação médica por parte dos policiais no local, mesmo apresentando um "ferimento visível na cabeça" após ser jogado ao chão enquanto pedalava.
"Nosso cliente foi diagnosticado com uma lesão na cabeça/concussão e foi encaminhado para uma clínica especializada. Os sintomas continuam", disse o advogado. Ele completou dizendo que a própria família do jovem precisou levá-lo ao pronto-socorro mais tarde naquela noite, e acusou a polícia de usar força excessiva e negligenciar o dever básico de assistência.
O defensor também mencionou o Código Criminal canadense para argumentar que a violência aplicada foi totalmente injustificada e representou um risco real à vida do ciclista.
Por outro lado, a Polícia de Toronto informou que o ciclista desrespeitou a sinalização de parada obrigatória, xingou os policiais e tentou fugir antes de ser detido. Ele acabou recebendo três multas por infrações de trânsito provinciais.
O chefe de polícia, Myron Demkiw, defendeu a equipe no início desta semana, declarando que a imobilização foi feita de acordo com o treinamento recebido pela corporação e alegando que a própria atitude do ciclista agravou a situação.
A Associação de Polícia de Toronto (TPA) também saiu em defesa dos policiais, afirmando que eles agiram "dentro da lei e de forma adequada". Segundo a entidade, as imagens que circulam na internet não mostram o contexto completo da abordagem. A TPA reforçou que a operação de trânsito atendia a pedidos e reclamações dos próprios moradores da comunidade e que a recusa do ciclista em colaborar gerou um risco de segurança.
O advogado do ciclista rebateu duramente as declarações dos líderes policiais, acusando o chefe Demkiw de "não conseguir admitir quando um subordinado passa dos limites". Para Shellnutt, o posicionamento da corporação funciona como um "sinal verde para o uso da força contra ciclistas que violam regras de trânsito ou usam palavras de baixo calão".
Ciclistas e apoiadores prometem se reunir a partir das 18h desta quinta-feira para protestar contra o que chamam de uma escalada de violência contra os usuários mais vulneráveis das vias públicas. "Muitos moradores de Toronto ficaram chocados com o que acreditamos ter sido um uso excessivo de força física", concluiu o advogado.
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