A cerimônia de posse da ex-juíza da Suprema Corte, Louise Arbour, como a 31ª governadora-geral do Canadá, promete ser um evento marcante, com direito a salva de 21 tiros de canhão, leitura de poesia e apresentações de artistas canadenses. Arbour assume o posto em substituição a Mary Simon, que em 2021 fez história ao se tornar a primeira líder indígena a ocupar o cargo de representante da Coroa no país.
O evento acontece no prédio do Senado canadense, com início previsto para as 10h. Entre as autoridades confirmadas estão a ex-governadora Mary Simon, o primeiro-ministro Mark Carney, o presidente da Suprema Corte, Richard Wagner, o presidente da Câmara dos Comuns, Francis Scarpaleggia, e a chefe nacional da Assembleia das Primeiras Nações, Cindy Woodhouse Nepinak.
Antes mesmo do início oficial, um qulliq — lamparina a óleo tradicional do povo Inuit — será aceso por uma anciã indígena e permanecerá aceso durante toda a solenidade. No palco, a diversidade cultural do país será celebrada com a cantora francófona Sara Dufour, interpretando “La Reine” (da banda Les Cowboys Fringants), e o artista anglófono Tyler Shaw, que cantará “Like Me and You” (de Raffi).
A literatura também terá espaço com Chimwemwe Undi, poetisa laureada do Parlamento, que recitará sua obra “Reasons”, escrita especialmente para a ocasião. Uma versão em francês do poema será lida por um estudante da Escola Primária Louise Arbour, de Ottawa. Durante o evento, a nova governadora-geral fará seu primeiro pronunciamento oficial à nação, detalhando as prioridades de seu mandato. O primeiro-ministro Mark Carney também discursará.
O ápice da transição ocorre quando Arbour ocupar seu assento na câmara do Senado: neste momento, uma salva de 21 tiros ecoará diretamente da Colina do Parlamento. Em paralelo, a Banda Central das Forças Armadas Canadenses executará o hino dinástico “God Save the King”, enquanto a bandeira oficial da governadora-geral será hasteada na Peace Tower (Torre da Paz).
Uma trajetória de peso internacional
Aos 79 anos, a jurista nascida em Montreal acumula um currículo brilhante. Totalmente bilíngue, ela já atuou como Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos e foi procuradora-chefe no Tribunal de Haia.
Arbour liderou as investigações dos Tribunais Penais Internacionais para a ex-Iugoslávia e Ruanda, entrando para a história como a primeira promotora a indiciar um chefe de Estado em exercício — o então presidente sérvio Slobodan Milosevic — por crimes contra a humanidade. Ela também garantiu a primeira condenação por genocídio desde a convenção da ONU de 1948 (no caso de um ex-prefeito ruandês) e foi pioneira ao classificar e processar crimes de agressão sexual como crimes contra a humanidade.
A nomeação de Arbour foi chancelada pelo Rei Charles III, sendo a primeira escolha do monarca para o cargo desde que assumiu o trono em 2022. Os dois se reuniram no Palácio de Buckingham na semana passada.
O papel do Governador-Geral
No Canadá, as funções do cargo vão muito além do protocolo. O governador-geral atua como comandante-em-chefe das Forças Armadas e representa o país oficial e diplomaticamente. Na prática do poder público, cabe a este líder empossar ministros de Estado, convocar ou dissolver o Parlamento, formalizar nomeações sugeridas pelo primeiro-ministro e conceder o Consentimento Real (Royal Assent), que transforma projetos de lei em leis definitivas.
Na última semana, o primeiro-ministro Mark Carney reforçou a gratidão do país pelo trabalho de Mary Simon, destacando seus esforços fundamentais na busca pela reconciliação e valorização dos povos indígenas no Canadá.
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