A abertura da ponte internacional Gordie Howe foi oficialmente adiada. De acordo com o CEO interino da Windsor-Detroit Bridge Authority (órgão estatal canadense responsável pela obra), os governos do Canadá e dos Estados Unidos decidiram postergar a inauguração para que ambos os países tenham tempo de "resolver pendências em aberto".
O anúncio pegou muitos de surpresa, já que os convites para a cerimônia de corte da fita inaugural — marcada para esta sexta-feira — já haviam sido enviados. O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, chegou a afirmar na última terça-feira que a ponte estaria funcionando até o fim da semana. No entanto, na quarta-feira, o discurso de Carney mudou: ele minimizou a situação dizendo que "não há nenhum grande drama", mas ponderou que, se o processo "demorar um pouco mais, é assim que será".
Por trás do adiamento está um impasse político com Washington. Em fevereiro, o presidente americano Donald Trump declarou que os EUA precisariam ser compensados financeiramente antes que ele permitisse a liberação da ponte. Fontes da Casa Branca confirmaram que a posição do presidente continua exatamente a mesma.
O prefeito de Windsor, Drew Dilkens, confirmou na quarta-feira que já estava com o convite em mãos para o evento de sexta e que circulavam boatos de que o tráfego seria liberado na segunda-feira. Após o balde de água fria, Dilkens usou a rede social X na manhã de quinta-feira para mandar um recado firme: “Embora todos nós queiramos a abertura da Gordie Howe Bridge, o Canadá não precisa se ajoelhar para que isso aconteça. Consiga um ótimo acordo comercial para nós, Carney!”.
A Gordie Howe Bridge é de propriedade conjunta do governo do Canadá e do estado de Michigan. Toda a construção, avaliada em 6,4 bilhões de dólares, foi custeada integralmente pelo Canadá. O plano prevê que o país recupere esse investimento por meio das tarifas de pedágio; após a quitação total dos custos, os lucros dos pedágios passarão a ser divididos com o estado americano.
Além do impasse diplomático, o projeto enfrenta forte oposição da família Moroun, dona da concorrente Ambassador Bridge. Em Washington, parlamentares do Partido Democrata estão investigando se a família agiu de alguma forma para obstruir e atrasar a nova ponte.
Apesar do recuo público, os bastidores continuam confusos. Uma fonte do governo canadense, que falou sob condição de anonimato, afirmou que todos os sinais recebidos pelo governo federal indicavam que a ponte estava liberada para funcionar. Segundo essa fonte, a estatal canadense responsável pela administração possui todas as aprovações técnicas necessárias para iniciar as operações imediatamente.
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