Uma organização de defesa dos direitos das mulheres e diversos grupos favoráveis ao controle de armas estão pedindo ao primeiro-ministro Mark Carney que implemente integralmente uma medida prevista em uma legislação aprovada há cerca de dois anos e meio.
A regra determina que pessoas sujeitas a uma ordem de proteção judicial — frequentemente emitida em casos de violência entre parceiros íntimos — não possam possuir licença para armas de fogo enquanto a medida estiver em vigor.
O objetivo é retirar rapidamente o acesso a armas por parte de agressores em um dos momentos considerados de maior risco para as vítimas.
Embora a legislação tenha sido aprovada, o governo afirma que ainda é necessário regulamentar a definição oficial de “ordem de proteção”, além de implementar exigências relacionadas ao registro e à comunicação dessas informações para que a medida entre plenamente em vigor.
Em comunicado conjunto, entidades que defendem o controle de armas solicitaram que o governo liberal avance com a regulamentação “sem mais demora” e adote uma definição ampla para o termo “ordem de proteção”.
Entre os grupos que assinam o documento estão a National Association of Women and the Law, PolySeSouvient, Danforth Families for Safe Communities, Canadian Doctors for Protection from Guns, Canadian Femicide Observatory for Justice and Accountability e a Quebec Mosque.
Segundo uma análise elaborada pela National Association of Women and the Law e apoiada pelas demais organizações, a legislação aprovada em dezembro de 2023 foi criada para proteger mulheres e crianças da violência armada praticada por parceiros íntimos, garantindo que pessoas sujeitas a ordens de proteção não possam manter licenças para armas de fogo e tenham suas autorizações revogadas.
A entidade afirma que o Parlamento optou deliberadamente por uma definição ampla para assegurar que qualquer ordem judicial vinculante, civil ou criminal, emitida para proteger a segurança de uma pessoa, resulte automaticamente na perda da licença de armas.
As organizações alegam que, apesar da intenção clara da lei, o governo estaria considerando uma abordagem mais restritiva, deixando de fora determinadas ordens judiciais criminais, como condições de liberdade sob fiança e algumas medidas de liberdade condicional.
Segundo a análise, essa exclusão criaria uma diferença considerada arbitrária e potencialmente perigosa.
O documento cita como exemplo uma sobrevivente que conseguiu uma ordem de paz sem que houvesse acusações criminais formais. Nesse caso, a revogação automática da licença seria aplicada. Já uma vítima cujo agressor foi acusado criminalmente, mas liberado sob fiança com condições semelhantes de não contato, poderia não receber a mesma proteção.
Para Suzanne Zaccour, diretora de assuntos jurídicos da National Association of Women and the Law, não faz sentido que algumas vítimas recebam proteção enquanto outras fiquem de fora devido a questões processuais.
“Não faz sentido que algumas sobreviventes recebam proteção e outras não, não pelo nível de risco que enfrentam, mas por questões técnicas do processo judicial”, afirmou.
Ela acrescentou que a violência não se torna menos letal apenas porque está sendo tratada em uma etapa diferente do sistema de justiça.
O Ministério da Segurança Pública do Canadá concluiu, no início de março, uma consulta pública sobre as regras necessárias para implementar a medida.
Em entrevista recente, o ministro da Segurança Pública, Gary Anandasangaree, afirmou que o governo precisou dedicar um esforço significativo ao processo regulatório e que a expectativa é concluir a regulamentação até o final de setembro.
Caso isso aconteça, a medida poderá finalmente entrar em vigor, ampliando as proteções previstas na legislação aprovada pelo Parlamento e fortalecendo mecanismos de prevenção à violência envolvendo armas de fogo.
• Acompanhe o North News em todas as plataformas •
Facebook
Canal no Whatsapp
X
Instagram (perfil principal)
Instagram (perfil secundário devido aos bloqueios da Meta)
Threads
Grupo no Whatsapp