Ontário precisa de 1 milhão de universitários e revela áreas com mais vagas

Novo relatório aponta escassez de profissionais qualificados em Ontário até 2035. Descubra os setores em alta e o impacto no mercado de trabalho.

Por
5 Min

Ontário precisa de 1 milhão de universitários e revela áreas com mais vagas
Divulgação

O mercado de trabalho na província de Ontário enfrentará um grande desafio nos próximos dez anos. Um novo relatório aponta que a região precisará de mais de um milhão de profissionais graduados em universidades para suprir a demanda de mão de obra qualificada.

O estudo, conduzido pela Stokes Economics a pedido do Conselho de Universidades de Ontário, mapeou o número de profissionais necessários para preencher vagas em setores que exigem ou priorizam o ensino superior, como finanças, saúde, ciência e tecnologia. Apenas nessas áreas, estima-se a necessidade de cerca de 56 mil novos formados por ano. De acordo com o documento, a incapacidade de atender a essa demanda representa um risco estrutural para o crescimento econômico e a prosperidade de longo prazo de Ontário.

As áreas mais cobiçadas pelo mercado

O maior déficit está nas carreiras de STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia Engenharia e Matemática). A projeção é que essas profissões precisem de 212.980 novos graduados até 2035, mantendo uma média anual de 21,3 mil estudantes inseridos no mercado. O relatório destaca que esses profissionais serão os líderes da "revolução da Inteligência Artificial (IA)" na província, desenvolvendo tecnologias e garantindo que a IA seja aplicada de forma segura. Eles também serão cruciais para impulsionar a inovação em setores como manufatura avançada, segurança cibernética e ciências da vida.

O setor de Saúde aparece logo em seguida no ranking de urgência. Serão necessários aproximadamente 149 mil novos formados na próxima década, o que equivale a 43,7% da força de trabalho atual da área. O estudo reforça que a capacidade de formar, atrair e integrar essa nova geração de profissionais de saúde será vital para atender ao envelhecimento da população, avançar em inovações médicas e construir um sistema de saúde mais eficiente e resiliente.

As carreiras nos setores de Negócios, Finanças e Administração também seguem em alta, com a previsão de 195.316 postos de trabalho a serem preenchidos por graduados até 2035.

Alerta para as incertezas do futuro

Glen Jones, professor especializado em ensino superior na Universidade de Toronto, concorda que o relatório reforça a forte tendência de valorização do diploma universitário no mercado. No entanto, o especialista faz um alerta: projetar o mercado para daqui a dez anos envolve riscos e fatores imprevisíveis, os chamados "coringas".

Entre essas variáveis, Jones aponta a redução nos níveis de imigração, o impacto disruptivo da Inteligência Artificial e a própria instabilidade econômica global. "Muito disso é geopolítico... Estamos vendo mudanças rápidas nas relações internacionais que impactam diretamente o mercado de trabalho, e as tarifas comerciais são o melhor exemplo disso", explicou.

O valor do diploma e a crise no financiamento

Mesmo com as incertezas, o interesse pelo ensino superior continua crescendo. O relatório aponta que o número de estudantes do ensino médio em Ontário que se candidataram a uma universidade local aumentou 17% desde 2020.

Além disso, os dados históricos confirmam as vantagens financeiras: profissionais com diploma universitário tendem a ter salários mais altos e sofrem menos com o desemprego. Nos últimos 35 anos, a taxa média de desemprego para quem tem nível superior (com 25 anos ou mais) foi de 4,7%, contra 6,9% daqueles que possuem apenas o ensino médio.

Apesar do cenário promissor para os estudantes, as universidades alertam que precisam de apoio governamental para expandir a capacidade de vagas. Embora o governo de Ontário tenha anunciado um investimento de 1,7 bilhão de dólares canadenses para criar 70 mil novas vagas no ensino superior (como parte de um plano de 6,4 bilhões de dólares para os próximos quatro anos), o setor afirma que o valor ainda é insuficiente.

Rob Kristofferson, presidente da Confederação de Associações de Professores Universitários de Ontário (OCUFA), declarou que esse repasse não tirará a província do "último lugar" em financiamento, alegando que seriam necessários 3 bilhões de dólares anuais para que Ontário atingisse a média nacional canadense.

Kristofferson também criticou os cortes no programa de assistência financeira estudantil da província (OSAP), onde as bolsas de estudo agora cobrem no máximo 25% dos custos. "Se os estudantes ficarem presos a dívidas imensas, eles não conseguirão participar plenamente da economia, o que traz impactos negativos para toda a população de Ontário. Para apoiar nossa economia e cultura, o governo precisa financiar as universidades de forma adequada e sustentável, pensando no longo prazo", concluiu.


• Acompanhe o North News em todas as plataformas •
Facebook
Canal no Whatsapp
X
Instagram (perfil principal)
Instagram (perfil secundário devido aos bloqueios da Meta)
Threads
Grupo no Whatsapp

  • Ir para GoogleNews
Notícias Relacionadas »