Velocidade dispara até 400% em Toronto após remoção de radares
Novos dados mostram explosão de infrações de trânsito em zonas escolares de Toronto após proibição dos radares portáteis pelo governo de Ontário.
Reprodução/ CityNews
A prefeita de Toronto, Olivia Chow, está exigindo o retorno imediato dos radares de velocidade em áreas escolares e zonas de segurança comunitária. O apelo surge após um relatório apontar um aumento alarmante no excesso de velocidade nessas regiões desde que o governo provincial proibiu os equipamentos.
A cidade havia começado a utilizar os radares fotográficos portáteis (chamados originalmente de Automated Speed Enforcement ou ASE) em 2020 para coibir os abusos ao volante e salvar vidas. Em 2025, um estudo comprovou o impacto positivo da medida nos hábitos dos motoristas: no final daquele ano, Toronto registrou o menor índice de mortes e feridos graves no trânsito desde o início do programa de segurança viária Vision Zero.
Apesar dos resultados, o primeiro-ministro da província de Ontário, Doug Ford, minimizou os dados na época, classificando o programa como uma "fábrica de multas" para arrecadar dinheiro, e baniu os radares em outubro de 2025. Na ocasião, mais de 20 prefeitos de diferentes cidades da província pediram que o governo fizesse ajustes ao invés de extinguir o sistema, mas Ford rejeitou o pedido, prometendo combater o excesso de velocidade por outros meios.
Agora, novos dados apresentados à Câmara Municipal nesta quarta-feira mostram uma realidade preocupante: desde que as câmeras foram retiradas das ruas, houve um salto de 380% no número de motoristas flagrados trafegando a 16 km/h (ou mais) acima do limite permitido. O relatório destaca que esse aumento foi "geralmente mais evidente" em ruas com limite de velocidade fixado em 30 km/h.
A prefeita Olivia Chow classificou o cenário como "horripilante". "As pessoas estão dirigindo como se estivessem em uma rodovia. Pelo amor de Deus, é uma zona escolar! Então, tragam de volta esses radares, porque o que está acontecendo é simplesmente imperdoável", desabafou.
Além disso, o documento aponta que foram registradas 25 mortes no trânsito no período de seis meses entre dezembro de 2025 e maio de 2026. Duas dessas fatalidades ocorreram a menos de 100 metros de locais onde antes funcionavam os radares. Para fins de comparação, o mesmo período de seis meses nos anos anteriores registrou 20 mortes (entre dezembro de 2024 e maio de 2025), 21 mortes (de dezembro de 2023 a maio de 2024) e 16 mortes (de dezembro de 2022 a maio de 2023).
O relatório pondera, no entanto, que múltiplos fatores podem influenciar as fatalidades no trânsito e que ainda é necessário mais tempo para mensurar e compreender o impacto real da remoção dos radares nas colisões fatais.
Como alternativa, o governo Ford repassou 210 milhões de dólares canadenses aos municípios para a instalação de lombadas e outras medidas de redução de velocidade. Contudo, as autoridades de Toronto afirmam que a verba é insuficiente e que, na maioria das áreas afetadas, as características das vias impossibilitam a instalação física de lombadas.