Caos nos hospitais do Canadá: Falta de vagas e home care faz espera na emergência explodir

Relatório revela gargalo na saúde canadense: pacientes chegam a mofar na emergência por falta de leitos de transição e assistência domiciliar. Saiba mais!

Por
3 Min

Caos nos hospitais do Canadá: Falta de vagas e home care faz espera na emergência explodir
Jeff McIntosh

Um novo relatório revela que a demora no atendimento de emergência em hospitais de todo o Canadá é diretamente agravada pela escassez de vagas em instituições de longa permanência (como asilos e clínicas de reabilitação) e pela falta de programas de assistência domiciliar (home care).

De acordo com o Instituto Canadense de Informação de Saúde (CIHI), pacientes que já têm condições médicas de receber alta para centros de reabilitação, lares de idosos ou cuidados em casa acabam retidos nas unidades de internação por uma média de 24 dias. O resultado disso é um efeito dominó: novos pacientes que chegam à emergência e precisam ser internados ficam travados nos corredores aguardando a liberação de um leito.

Entre abril de 2024 e março de 2025, metade dos pacientes que necessitavam de internação amargou mais de 16 horas de espera dentro do pronto-socorro. O cenário é ainda mais alarmante para 10% desse público, que chegou a passar mais de 48 horas aguardando atendimento na emergência. Idosos e portadores de doenças crônicas, como diabetes ou hipertensão, são as principais vítimas dessa demora.

O levantamento aponta que 8% das pessoas internadas foram classificadas na categoria de "nível alternativo de cuidados" (ALC, na sigla em inglês). Isso significa que elas já não precisavam de cuidados médicos agudos, mas não podiam ir embora por falta de suporte ou estrutura adequada para o pós-alta.

O efeito dominó na saúde pública

Cheryl Chui, diretora de análises do sistema de saúde do instituto, ressalta que solucionar a demora nas emergências exige uma reforma completa no sistema de saúde. Segundo ela, as medidas devem ir desde garantir que toda a população tenha acesso a um médico de família (family doctor) — evitando que casos simples superlotem os hospitais — até a ampliação de vagas em asilos e serviços de home care.

"Esse tipo de gargalo gera um efeito cascata. A permanência prolongada nos leitos de alta complexidade impede a transferência de outros pacientes, que acabam retidos no pronto-socorro. Isso limita a capacidade da emergência de receber quem está chegando da rua, aumentando o tempo de espera geral", explicou Chui na divulgação do relatório, realizada nesta quinta-feira.

Profissionais de saúde acendem o alerta

No início da semana, a Associação Canadense de Médicos de Emergência já havia emitido um comunicado urgente sobre a "pressão extrema" sofrida pelos prontos-socorros decorrente de falhas generalizadas no sistema, que prejudicam principalmente a terceira idade.

"A distância cada vez maior entre os idosos que precisam de suporte diário e o acesso real a esses serviços tornou o pronto-socorro a única alternativa para muitos canadenses. Esse público já representa entre 20% e 40% das visitas às emergências no país", destacou a associação. "As deficiências no setor de cuidados de longo prazo e no suporte comunitário superlotam diretamente os hospitais. Sem opções externas, os idosos ocupam leitos hospitalares mesmo após resolverem seus problemas de saúde urgentes."


• Acompanhe o North News em todas as plataformas •
Facebook
Canal no Whatsapp
X
Instagram (perfil principal)
Instagram (perfil secundário devido aos bloqueios da Meta)
Threads
Grupo no Whatsapp

  • Ir para GoogleNews
Notícias Relacionadas »