A cada dois ou quatro anos, o planeta sente os efeitos do fenômeno climático conhecido como El Niño. Desta vez, no entanto, a previsão dos meteorologistas é da chegada de um "Super El Niño".
Mas o que exatamente isso significa e quais serão os impactos práticos na rotina e no clima de quem mora no Canadá? A reportagem ouviu especialistas na área para esclarecer o assunto.
De acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA), o El Niño é um fenômeno climático global capaz de alterar drasticamente os padrões de tempo em diversas partes do mundo.
Kent Moore, professor de Física da Universidade de Toronto, explica que o evento ocorre quando as águas mais aquecidas do Oceano Pacífico tropical ganham força à medida que se deslocam em direção ao leste.
"A transição da massa de água quente já começou neste momento", afirmou Moore em entrevista à CTV News. "O ápice do El Niño costuma ocorrer durante o inverno no Hemisfério Norte."
A intensidade do El Niño é mensurada pela elevação da temperatura das águas. Quando o aquecimento ultrapassa a marca de 2 °C acima da média, o evento ganha a classificação de "Super El Niño". Para este ano, a projeção é de que o pico atinja cerca de 3,5 °C acima do normal, confirmando a escala do fenômeno.
A tendência é que o Super El Niño traga um inverno consideravelmente mais ameno para todo o território canadense, conforme detalha o professor Moore.
"Tudo fica supercarregado. As proporções são maiores, o que significa que o aquecimento será superior ao registrado em episódios convencionais do fenômeno", destacou.
O climatologista David Phillips, do órgão governamental Environment and Climate Change Canada, relembrou que a edição do Super El Niño registrada entre 2015 e 2016 resultou em um dos invernos mais quentes dos últimos 80 anos no país.
"O fenômeno altera drasticamente as probabilidades climáticas, aumentando muito a chance de termos um inverno mais brando de ponta a ponta no país, de costa a costa", explicou Phillips.
Além das alterações de temperatura em solo, Phillips ressaltou que já é possível notar os primeiros reflexos marítimos do fenômeno no Canadá. Um exemplo foi a presença recente de uma espécie de golfinho na Colúmbia Britânica (B.C.), animal que normalmente não habita aquelas águas.
"É comum vermos a mudança nos padrões de comportamento dos peixes e a chegada de espécies que nunca foram vistas na região. Para os amantes da natureza, acaba sendo uma oportunidade única para observar espécies marinhas que não costumam frequentar essas latitudes", concluiu o especialista.
• Acompanhe o North News em todas as plataformas •
Facebook
Canal no Whatsapp
X
Instagram (perfil principal)
Instagram (perfil secundário devido aos bloqueios da Meta)
Threads
Grupo no Whatsapp