Canadenses tiveram prejuízo de quase $640 milhões com fraudes no ano passado

De acordo com o Centro Canadense Antifraude (CAFC), as perdas relatadas já ultrapassaram 2 bilhões de dólares desde 2021, mesmo com a estimativa de que apenas 5 a 10% dos casos de fraude são reportados.

Por Júnior Mendonça-
7 Min

Canadenses tiveram prejuízo de quase $640 milhões com fraudes no ano passado
Foto: celiaosk / Getty Images

Em 2024, fraudes causaram um prejuízo de mais de 638 milhões de dólares aos canadenses, com o número de casos quase dobrando na última década.

Um especialista afirma que essa tendência de crescimento está gerando uma crise nos serviços financeiros que, provavelmente, vai piorar antes de melhorar.

"Se não te afetou pessoalmente, provavelmente afetou alguém que você conhece, e é apenas uma questão de tempo até que cheguem em você", disse o especialista em tecnologia Carmi Levy, que acrescentou que a inteligência artificial está impulsionando esse aumento.

De acordo com o Centro Canadense Antifraude (CAFC), as perdas relatadas já ultrapassaram 2 bilhões de dólares desde 2021, mesmo com a estimativa de que apenas 5 a 10% dos casos de fraude são reportados.

 

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Em um comunicado de fevereiro, o Departamento de Concorrência do Canadá disse que os golpes de representação – quando golpistas se fazem passar por um representante de banco, um membro de uma organização conhecida, ou outra pessoa para enganar as vítimas e obter informações confidenciais ou dinheiro – são um dos tipos de fraude que mais crescem.

É um caso que Claudine Jeanson, de Granby, em Quebec, conhece muito bem.

Em junho, ela conta que foi contatada pelo Facebook Marketplace por uma pessoa interessada em comprar um item que ela estava vendendo. A pessoa pediu o seu número de celular para enviar 100 dólares por meio de uma transferência eletrônica (e-transfer).

Quando o link não funcionou, ela concordou em se encontrar com o comprador pessoalmente.

Mas, minutos depois, Jeanson recebeu uma ligação de alguém que ela acreditava ser um representante do Royal Bank of Canada (RBC) – uma ligação que, no final, lhe custou milhares de dólares.

"Ele disse, ‘escuta, senhora, tem algo muito suspeito acontecendo com a sua conta.’ Ele me disse que tínhamos que agir rápido porque alguém estava tentando tirar 10.000 dólares da minha conta," Jeanson se lembra. "Era o número do RBC no meu identificador de chamadas, então eu não entrei em pânico. Ele foi muito convincente."

O golpista instruiu Jeanson a enviar uma transferência de 10.000 dólares para uma suposta "conta segura" enquanto eles protegiam a dela.

Quando ela abriu o aplicativo do banco, Jeanson notou que um contato chamado "RBC" já tinha sido adicionado.

"Você pensa que é para proteger seu dinheiro, mas no final, é um golpe... Você não quer perder 10.000 dólares, então você acredita que é verdade," ela explicou.

Seu coração afundou assim que ela clicou em "enviar".

Ela então contatou o RBC e descobriu que, antes de enviar a transferência, já tinham ocorrido três tentativas separadas de sacar 10.000 dólares de sua linha de crédito.

"Então, o banco parou essas três tentativas, mas não a transferência? E isso não levantou um alerta?", ela questionou.

Em um comunicado por escrito, o RBC disse que investiga as fraudes caso a caso, mas não poderia comentar sobre a situação de Jeanson. O banco acrescentou que leva as preocupações dos clientes a sério e se comunica diretamente com eles.

"Lembramos aos clientes que um representante ou funcionário do RBC jamais pedirá para compartilhar códigos de uso único, enviar dinheiro para 'proteger seu perfil' ou compartilhar o link de um depósito de transferência eletrônica", afirmou o banco. "Além disso, o RBC nunca pedirá acesso à conta bancária online de um cliente para adicionar beneficiários em nome dele ou pedirá a clientes que participem de uma 'operação secreta' para prevenir uma fraude."

A CTV News perguntou ao RBC sobre o processo para interromper transações, mas o banco não forneceu detalhes específicos.

Levy explicou que os bancos geralmente não respondem a perguntas precisas após uma fraude.

"Os bancos têm ferramentas e processos de proteção muito sofisticados para identificar fraudes, tentativas de fraude e impedi-las, mas as técnicas precisas que eles usam não são compartilhadas, por razões óbvias. Eles não querem dar dicas para os golpistas," ele disse.

No entanto, Levy observou que o aumento contínuo desses tipos de golpes sugere que as medidas atuais não são suficientes.

"Não basta dizer depois que a fraude aconteceu, ‘Bem, você não deveria ter entregado essa informação. Você deveria ter desligado a ligação.’ A indústria de serviços financeiros e os bancos canadenses precisam ser muito mais proativos, muito mais agressivos em educar seus clientes e estar na linha de frente para combater essa praga," disse Levy.

De acordo com o CAFC, cerca de 34.642 vítimas relataram fraudes em 2024.

Após concluir a investigação sobre o caso de fraude de Jeanson, ela disse que o RBC lhe comunicou que ela era responsável pela transação, conforme o Contrato de Acesso Eletrônico do banco, e que não seria reembolsada.

Ela disse que a situação a deixou arrasada.

 

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"Eu chorei. Me senti culpada. Eu disse para mim mesma, ‘Como isso pôde acontecer comigo? Eu sou tão cuidadosa,’" Jeanson lamentou. "Você se sente abandonada. Eu deixo meu dinheiro com eles, e eles me dizem que não há nada que possam fazer."

Jeanson disse que algumas de suas interações com os funcionários do RBC também a fizeram se sentir culpada e desconsiderada.

"Quando cheguei ao banco, eu estava em prantos. Então a mulher disse, ‘O que você fez? Você fez isso.’ Achei isso desumano," ela disse.

Levy enfatizou que os bancos colocam a responsabilidade nos clientes para que ajam como a última linha de defesa, reconhecendo que qualquer pedido não solicitado de informações de autenticação deve ser tratado como um "enorme" alerta.

"Eles não serão compensados se, de fato, continuarem com isso," ele disse.

Levy disse que são necessárias regras mais fortes para garantir que as instituições financeiras tenham ferramentas adequadas de prevenção de fraudes e forneçam recursos claros e centralizados para os clientes.

Ele também pediu maior responsabilização e legislação governamental para proteger os consumidores quando os bancos falham em prevenir fraudes.

"Eu diria às pessoas que foram vítimas de golpes como este: não desistam," disse Jeanson.

 


FONTE: Redação North News com informações CTV News Montreal

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