Crise no Irã: mortes superam 540 em meio a apagão digital e ameaças de intervenção externa

Com internet bloqueada e ameaças de Trump, regime enfrenta sua crise mais violenta em décadas. Veja os detalhes.

Por Júnior Mendonça, da Redação North News-
3 Min

Crise no Irã: mortes superam 540 em meio a apagão digital e ameaças de intervenção externa
Foto: Benoit Tessier/Reuters

O Irã amanhece nesta segunda-feira (12) sob um clima de extrema tensão e incerteza.

O que começou em 28 de dezembro de 2025 como uma revolta contra a inflação e o colapso do rial transformou-se em uma insurreição nacional que já deixou mais de 540 mortos, segundo organizações de direitos humanos.

Enquanto o governo convoca manifestações de apoio ao regime para hoje, a comunidade internacional observa com cautela as ameaças de intervenção militar vindas dos Estados Unidos.

 

O balanço das vítimas e o conflito de narrativas

De acordo com o relatório consolidado da Human Rights Activists News Agency (HRANA) divulgado no último domingo, pelo menos 538 pessoas foram mortas nos últimos 15 dias. O número inclui 490 manifestantes — entre eles, ao menos oito menores de idade — e 48 membros das forças de segurança.

  • Versão do Estado: A mídia estatal iraniana e o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) apresentam números distintos, confirmando a morte de 114 agentes de segurança (incluindo membros da Basij e da polícia). O governo classifica o levante como uma "guerra terrorista" financiada por potências estrangeiras e anunciou que todos os detidos serão tratados como mohareb (inimigos de Deus), crime punível com a morte.
  • Versão dos ativistas: Relatos de hospitais em Teerã e Ilam indicam o uso sistemático de munição real e perseguições dentro de centros médicos. Organizações como a Amnistia Internacional documentaram mortes de adolescentes, como Taha Safari (15 anos), atingido durante protestos em Lorestan.

 

O apagão informativo e a reação do governo

Desde a última quinta-feira, o Irã vive um apagão de internet quase total, superando 72 horas de isolamento digital. Para analistas internacionais, a medida visa impedir a coordenação de protestos e ocultar a escala da repressão.

O presidente Masoud Pezeshkian, em uma tentativa de equilíbrio, reconheceu as dificuldades econômicas da população, mas alertou que "a desordem não será tolerada". Hoje, o regime planeja realizar comícios em diversas cidades para condenar o que chama de "ações terroristas lideradas por EUA e Israel".

 

Geopolítica e diplomacia: o fator Washington

A crise no Irã tomou proporções diplomáticas globais com as recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump.

Washington afirmou estar considerando "opções muito fortes" de intervenção caso o derramamento de sangue continue, colocando bases militares americanas e israelenses em alerta máximo na região.

Teerã respondeu de forma contundente: o IRGC declarou que qualquer agressão externa tornará alvos legítimos as instalações militares dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio.

O impasse coloca as Nações Unidas sob pressão para mediar um corredor de informação e garantir a segurança dos civis detidos.

Nesta manhã de segunda-feira, relatos fragmentados que escapam ao bloqueio digital sugerem que, embora a presença militar tenha aumentado em locais como o Grande Bazar de Teerã, focos de resistência persistem nas províncias ocidentais e em universidades.

O comércio em várias cidades permanece fechado em sinal de luto e protesto.


FONTE: Júnior Mendonça, da Redação North News

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