O Irã amanhece nesta segunda-feira (12) sob um clima de extrema tensão e incerteza.
O que começou em 28 de dezembro de 2025 como uma revolta contra a inflação e o colapso do rial transformou-se em uma insurreição nacional que já deixou mais de 540 mortos, segundo organizações de direitos humanos.
Enquanto o governo convoca manifestações de apoio ao regime para hoje, a comunidade internacional observa com cautela as ameaças de intervenção militar vindas dos Estados Unidos.
O balanço das vítimas e o conflito de narrativas
De acordo com o relatório consolidado da Human Rights Activists News Agency (HRANA) divulgado no último domingo, pelo menos 538 pessoas foram mortas nos últimos 15 dias. O número inclui 490 manifestantes — entre eles, ao menos oito menores de idade — e 48 membros das forças de segurança.
O apagão informativo e a reação do governo
Desde a última quinta-feira, o Irã vive um apagão de internet quase total, superando 72 horas de isolamento digital. Para analistas internacionais, a medida visa impedir a coordenação de protestos e ocultar a escala da repressão.
O presidente Masoud Pezeshkian, em uma tentativa de equilíbrio, reconheceu as dificuldades econômicas da população, mas alertou que "a desordem não será tolerada". Hoje, o regime planeja realizar comícios em diversas cidades para condenar o que chama de "ações terroristas lideradas por EUA e Israel".
Geopolítica e diplomacia: o fator Washington
A crise no Irã tomou proporções diplomáticas globais com as recentes declarações do presidente norte-americano, Donald Trump.
Washington afirmou estar considerando "opções muito fortes" de intervenção caso o derramamento de sangue continue, colocando bases militares americanas e israelenses em alerta máximo na região.
Teerã respondeu de forma contundente: o IRGC declarou que qualquer agressão externa tornará alvos legítimos as instalações militares dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio.
O impasse coloca as Nações Unidas sob pressão para mediar um corredor de informação e garantir a segurança dos civis detidos.
Nesta manhã de segunda-feira, relatos fragmentados que escapam ao bloqueio digital sugerem que, embora a presença militar tenha aumentado em locais como o Grande Bazar de Teerã, focos de resistência persistem nas províncias ocidentais e em universidades.
O comércio em várias cidades permanece fechado em sinal de luto e protesto.
• Acompanhe o North News em todas as plataformas •
Facebook
Canal no Whatsapp
X
Instagram (perfil principal)
Instagram (perfil secundário devido aos bloqueios da Meta)
Threads
Grupo no Whatsapp