Pela primeira vez em vários dias, os iranianos conseguiram realizar chamadas telefônicas para o exterior nesta terça-feira. A retomada ocorre após as autoridades cortarem as comunicações durante uma violenta repressão a protestos nacionais que, segundo ativistas, deixaram pelo menos 646 mortos.
Testemunhas relatam um cenário de "praça de guerra" no centro de Teerã, com forte presença policial, prédios governamentais incendiados, caixas eletrônicos destruídos e ruas quase desertas. O clima é de incerteza sobre os próximos passos, especialmente após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que pode utilizar força militar para defender manifestantes pacíficos, enquanto sugere que o Irã deseja negociar com Washington.
"Meus clientes comentam sobre a reação de Trump e se perguntam se ele planeja um ataque militar", relatou Mahmoud, um lojista que pediu para não ter o sobrenome divulgado por segurança. "Não espero que Trump ou qualquer outro país estrangeiro realmente se importe com os interesses do povo iraniano."
Isolamento digital e busca por Starlink
Embora algumas chamadas tenham sido completadas para agências internacionais, o serviço de mensagens de texto (SMS) continua fora do ar. Internamente, os usuários só conseguem acessar sites aprovados pelo governo. Testemunhas afirmam que as forças de segurança iniciaram buscas por terminais da Starlink, realizando batidas em apartamentos com antenas parabólicas no norte de Teerã.
Nas ruas, o policiamento é ostensivo, com agentes da Guarda Revolucionária e da milícia Basij equipados com escudos, gás lacrimogêneo e espingardas. O governo também emitiu um comunicado informando que os serviços de necrotério seriam gratuitos — um indício de que taxas abusivas estariam sendo cobradas para a liberação de corpos durante a crise.
Tensões diplomáticas e ameaça ao Brasil
Em entrevista à Al Jazeera, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou que mantém contato com o enviado dos EUA, Steve Witkoff, mas classificou as ameaças de Washington como "incompatíveis". Por outro lado, a Casa Branca afirmou que Trump não hesitará em usar opções militares se considerar necessário.
Em uma medida drástica, Trump anunciou através de redes sociais que países que mantêm relações comerciais com o Irã enfrentarão tarifas de 25% aplicadas pelos Estados Unidos. O Brasil foi citado nominalmente, ao lado de China, Rússia, Turquia e Emirados Árabes, como uma das economias que podem sofrer essa sanção imediata.
Saldo da crise
Dados da Human Rights Activists News Agency (HRANA) apontam que mais de 10.700 pessoas foram detidas nas últimas duas semanas. O balanço atualizado de mortes inclui 512 manifestantes e 134 membros das forças de segurança. O governo iraniano ainda não divulgou números oficiais de baixas e alertou que qualquer part
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