Um novo e inédito índice está oferecendo aos residentes dos maiores centros urbanos e suburbanos do Canadá, incluindo Toronto, um olhar detalhado sobre o quanto seus bairros favorecem as brincadeiras ao ar livre para as crianças.
O "playability index" (índice de condições para o brincar) foi desenvolvido por Emily Gemmell, pesquisadora de pós-doutorado na Escola de Saúde Populacional e Pública da UBC. O objetivo é analisar como as comunidades apoiam o brincar livre para crianças entre dois e seis anos.
"No Canadá e em todo o mundo, existem muitas métricas urbanas que analisam a saúde dos ambientes, mas elas são focadas principalmente nos comportamentos e padrões de movimento dos adultos... Não havia nada voltado para as crianças", explicou Gemmell ao CP24.com.
"No entanto, este é um período de desenvolvimento em que as experiências e exposições que ocorrem na primeira infância têm, reconhecidamente, o maior impacto na saúde ao longo da vida. Por isso, eu quis investigar isso", completou.
O índice examina cinco domínios principais: espaços para brincar, oportunidades de interação social, ambiente de tráfego, ambientes naturais e destinos relevantes para crianças. Segundo a pesquisadora, esses fatores interagem entre si: "Pode haver espaço ao ar livre, mas se houver uma estrada muito movimentada logo ao lado, o impacto muda. Você precisa de todos esses componentes em algum grau".
Os resultados em Toronto: Centro vs. Bairros residenciais
Em Toronto, as pontuações mais baixas foram encontradas no centro da cidade (Downtown), enquanto as áreas fora do núcleo urbano geralmente registraram notas mais altas.
O bairro com a pior avaliação foi Wellington Place, localizado no coração do centro, com uma pontuação média de 2,54. No extremo oposto, o topo do ranking ficou com Lambton Baby Point, que atingiu 8,07, seguido por High Park-Swansea (7,55) e Roncesvalles (7,45).
"Talvez o centro da cidade tenha uma pontuação menor no domínio de ambiente natural, mas seja mais alto em destinos relevantes para crianças. Há sempre uma troca", afirmou Gemmell. "Se você mora no subúrbio e não há onde caminhar, isso pode resultar em sair menos de casa. Existem nuances".
Gemmell espera que o índice aumente a conscientização sobre a importância desses espaços nos bairros.
"Olhe ao redor do seu bairro. Como um neto ou filho de cinco anos enxerga isso? Que interações ele pode ter ao sair do prédio ou da porta de casa? Se as crianças são excluídas do ambiente externo, o mundo delas encolhe", concluiu.
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