Novo surto de Hantavírus: Especialistas fazem alerta sobre a eficácia dos testes em pacientes sem sintomas

Entenda por que testes de Hantavírus podem não funcionar em quem não apresenta sintomas e como o Canadá está monitorando passageiros de navio atingido pelo vírus.

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Novo surto de Hantavírus: Especialistas fazem alerta sobre a eficácia dos testes em pacientes sem sintomas
Arturo Rodriguez

Especialistas em saúde afirmam que ainda não há clareza sobre a utilidade de testar pessoas que possam ter sido expostas ao hantavírus, mas que ainda não manifestaram sintomas da doença.

A Dra. Bonnie Henry, autoridade máxima de saúde da Colúmbia Britânica, informou que órgãos de saúde pública em todo o mundo estão debatendo o tema, à medida que passageiros de um navio de cruzeiro atingido pelo vírus retornam aos seus países de origem.

Segundo a Dra. Henry, os exames para certos vírus não são eficazes antes que o paciente desenvolva sintomas, e pouco se sabe sobre a precisão da testagem em casos raros de hantavírus. Ela garantiu que, caso qualquer uma das 10 pessoas no Canadá que podem ter sido expostas apresente sinais da doença, as autoridades estão prontas para realizar os testes e iniciar o tratamento. Existem hoje dois tipos de exames de sangue: um que busca anticorpos e o teste PCR, que detecta fragmentos do próprio vírus.

Desafios no diagnóstico precoce

Bryce Warner, cientista da Universidade de Saskatchewan e especialista em hantavírus, explica que as autoridades enfrentam uma situação "única". Normalmente, médicos não teriam motivos para suspeitar desse vírus raro até que o paciente ficasse visivelmente doente.

Warner, que atua na Organização de Vacinas e Doenças Infecciosas da universidade, ressalta que um resultado negativo em alguém assintomático não garante a ausência do vírus. "Como o período de incubação pode durar várias semanas, se você fizer um teste de PCR na primeira semana e der negativo, não pode simplesmente relaxar. Pode levar mais duas ou três semanas para que o resultado se torne positivo", alertou.

Cenário Internacional

O número de casos confirmados no exterior cresceu desde a evacuação do navio MV Hondius, ocorrida no último domingo nas Ilhas Canárias, na Espanha. Na terça-feira, o Ministério da Saúde da Espanha anunciou que um passageiro evacuado testou positivo.

Autoridades dos Estados Unidos e da França também confirmaram outros dois casos positivos recentemente. O passageiro americano, apesar de ter testado positivo, não apresenta sintomas e segue monitorado em uma unidade de biocontenção em Nebraska.

Até o momento, o balanço total é de 11 casos confirmados e três mortes, todos entre passageiros e tripulantes. O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou em Madri que não há indícios de um surto em larga escala, mas alertou que a situação pode mudar devido ao longo período de incubação.

Risco de Pandemia?

Apesar do alerta, médicos e especialistas em doenças infecciosas reforçam que o vírus Andes — o tipo específico de hantavírus que atingiu o navio e o único conhecido por ser transmitido entre humanos — exige contato próximo e prolongado para o contágio. Portanto, os especialistas garantem que ele não representa uma ameaça de pandemia global.


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