Alberta vai se separar do Canadá? Premiê quer referendo para dar fim à polêmica separatista

Danielle Smith defende voto popular em 19 de outubro sobre a separação de Alberta para encerrar o debate e focar no futuro econômico da província.

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Alberta vai se separar do Canadá? Premiê quer referendo para dar fim à polêmica separatista
Divulgação

A primeira-ministra de Alberta, Danielle Smith, afirmou que as discussões sobre a separação da província não podem desviar o foco dos projetos de energia e de outras pautas de interesse nacional. O tema, no entanto, voltou a dominar a conferência de líderes partidários do oeste canadense, realizada no início desta semana em Kananaskis.

"Sei que isso não é comum em todos os lugares. Mas quando os cidadãos dizem 'ei, queremos debater esse assunto' — como fizeram 700 mil moradores de Alberta —, eu, como governante, tenho a obrigação de viabilizar isso e levar a questão às urnas", declarou Smith nesta quarta-feira.

No final da semana passada, a premiê anunciou a inclusão de uma pergunta sobre a independência de Alberta no referendo marcado para 19 de outubro. A decisão foi mantida mesmo após um juiz determinar que as Primeiras Nações (comunidades indígenas locais) não foram devidamente consultadas durante o abaixo-assinado que motivou a votação. O movimento separatista recolheu 300 mil assinaturas no início de maio, enquanto o grupo que defende a permanência de Alberta no Canadá reuniu cerca de 400 mil apoiadores.

Tensões entre Províncias

Durante o encontro em Kananaskis, o primeiro-ministro de Manitoba, Wab Kinew, sugeriu que Smith adiasse o referendo para que as províncias pudessem concentrar esforços junto ao governo federal na construção de oleodutos no oeste do país. Kinew também criticou a promessa da premiê de recorrer da decisão judicial sobre as comunidades indígenas.

David Eby, primeiro-ministro da Colúmbia Britânica (BC), reforçou sua oposição à consulta popular e questionou a viabilidade de colaborar em projetos nacionais com uma província que cogita deixar a Confederação.

Em resposta, Smith rebateu nesta quarta-feira: "A atitude mais construtiva que os governantes locais poderiam tomar agora seria conversar com o líder federal do seu próprio partido (NDP), Avi Lewis, que continua fazendo campanha para manter os combustíveis fósseis sob a terra".

"É exatamente esse tipo de influência tóxica que estou combatendo. Falo de políticos que usam seus cargos para atacar Alberta, nossos recursos e nossa riqueza. É contra isso que a população de Alberta está reagindo", completou.

Relação com Ottawa

Apesar do tom firme, a premiê ressaltou a importância de não transformar em inimigos aqueles que agem de boa-fé. Como exemplo, ela citou o memorando de entendimento firmado entre Alberta e o governo federal para dar início a projetos energéticos, demonstrando que consegue dialogar com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, mesmo pertencendo a espectros políticos opostos.

Smith aproveitou para contrastar a postura de Carney com a do ex-ministro do Meio Ambiente, Steven Guilbeault, afirmando estar "satisfeita" com a próxima saída dele do cargo.

"O fato de conseguirmos resolver nossas diferenças e chegar a um consenso benéfico tanto para Alberta quanto para o Canadá é como o nosso país deveria funcionar", avaliou Smith sobre a parceria com Carney. "Estou tentando provar, por meio de ações, que o Canadá pode dar certo. Ainda preciso convencer mais alguns cidadãos de Alberta, mas é justamente por isso que precisamos debater, votar no dia 19 de outubro e, finalmente, virar essa página."

Smith concluiu dizendo que encerrou a conferência anual otimista com o futuro das províncias e territórios do oeste canadense. A agenda do encontro priorizou temas como comércio, economia, segurança energética e defesa.


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