"Não pule na água para ajudar": alerta urgente de especialistas após onda de afogamentos no Canadá

Série de tragédias em Quebec acende alerta no Canadá. Especialistas explicam os perigos de tentar resgatar vítimas de afogamento sem treino.

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"Não pule na água para ajudar": alerta urgente de especialistas após onda de afogamentos no Canadá
Christinne Muschi

Quebec enfrenta o período mais crítico do ano em relação a mortes por afogamento. Diante do cenário alarmante, especialistas em segurança aquática reforçam a importância de cuidados fundamentais na hora de se banhar, em um esforço contínuo para evitar novas tragédias.

Segundo dados da Sociedade de Salvamento do Quebec (Lifesaving Society), historicamente, uma média de nove pessoas morrem afogadas a cada ano durante este mesmo intervalo de duas semanas, considerando os últimos cinco anos.

Neste ano, cinco mortes por afogamento já foram confirmadas no mesmo período na província.

"Esta é a época do ano em que mais registramos afogamentos", alertou Raynald Hawkins, diretor-executivo da entidade. "O clima está bonito e ensolarado, atraindo mais pessoas para lagos e rios. Consequentemente, as chances de acidentes fatais aumentam."

Até o dia 23 de julho, a entidade contabilizava 43 suspeitas não oficiais de afogamento este ano, em comparação com 41 registradas no mesmo período em 2025.

No entanto, os números só deste mês já superaram o acumulado de todo o mês de julho do ano anterior. A Sociedade de Salvamento computou 21 casos até o momento, contra 14 registrados em julho de 2025.

Hawkins atribui essa alta, em parte, à recente onda de calor que atingiu a região de Montreal. "Sabemos que em dias de calor extremo o público corre para a água. Com mais gente nos rios e praias, a probabilidade de tragédias também cresce."

Resgate sem riscos

Três pessoas em Quebec perderam a vida este ano tentando salvar outras que se afogavam, revelou Hawkins. Em nível nacional, pesquisas recentes mostram que cerca de sete pessoas morrem todos os anos no Canadá tentando socorrer vítimas na água.

Por isso, o especialista reforça que ninguém deve entrar na água para um resgate, a menos que tenha treinamento profissional de salva-vidas.

A orientação da Sociedade de Salvamento é ligar imediatamente para o 911 e tentar o socorro a partir da margem ou do trapiche, usando o método de "estender ou arremessar".

Isso significa esticar um remo, galho ou toalha para puxar a pessoa em segurança. Se ela estiver distante, arremesse um objeto flutuante — como colete salva-vidas, tampa de caixa térmica ou uma corda com bóia — para ajudá-la a flutuar até a chegada das equipes de emergência.

"O pânico de quem está se afogando pode facilmente puxar o socorrista não treinado para o fundo", alertou Hawkins. "A primeira coisa a fazer é ligar para o 911, estender ou arremessar um objeto, mas jamais entrar na água. Se você pular, o risco de virar mais uma vítima é enorme."

Superestimar a habilidade na natação

Nesta semana, o país celebra a Semana Nacional de Prevenção ao Afogamento. Historicamente, julho é o mês mais letal do ano nas águas canadenses.

De acordo com o Drowning Prevention Research Centre Canada, a maioria das tragédias ocorre em rios, lagos e lagoas durante atividades de lazer, como natação, pesca, passeios de barco ou momentos de descanso à beira-mar.

Os sábados concentram a maior parte dos acidentes. Quase 80% das vítimas são do sexo masculino, sendo os adultos com 65 anos ou mais e os jovens entre 20 e 34 anos os grupos de maior risco.

Os fatores de risco mais frequentes incluem a falta do colete salva-vidas, baixa habilidade para nadar, estar sozinho e o consumo de bebidas alcoólicas. Segundo Hawkins, a grande maioria das mortes no Quebec envolve um ou mais desses elementos.

O especialista ressalta ainda que a maior parte das pessoas superestima a própria capacidade de nadar e a força das correntes em rios e lagos.

"Há uma grande diferença entre se refrescar na água e ter capacidade real de natação", pontuou. "E para os pais, fica a regra de ouro: crianças na água devem estar sempre à distância de um braço."

Na última sexta-feira, um morador de Montreal morreu afogado no Rio São Lourenço, perto de Marsoui, na região de Gaspé. A polícia segue nas buscas por um segundo homem que continua desaparecido. Poucos dias depois, outro homem perdeu a vida no Lago das Duas Montanhas, próximo ao Parque Oka.

Apesar das recentes perdas, Hawkins garante que quase todos os acidentes em momentos de lazer poderiam ser evitados.

Nas últimas três décadas, as mortes na água caíram no Canadá de uma média de 631 para 485 por ano. No Quebec, a média anual gira em torno de 60 casos.

"Precisamos continuar divulgando essas orientações de segurança porque elas realmente salvam vidas", concluiu Hawkins. "Queremos que todos se divirtam na água, mas sempre seguindo as recomendações de segurança."


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