Fonte: Portal North News. 1. Considerações Iniciais
Estimado(a) leitor(a) lusófono(a) do Portal North News, com certeza, a economia global tem sido marcada por um embate recorrente entre o protecionismo e o livre comércio. Se, por um lado, medidas protecionistas prometem proteger indústrias nacionais e empregos locais, por outro, o livre comércio impulsiona a inovação, a competitividade e reduz os preços dos bens.
A tensão entre esses dois modelos ganhou novamente notoriedade mundial com a guerra comercial iniciada em 2025, pelo presidente americano Donald Trump, refletindo um cenário de desafios e oportunidades para as nações de cinco continentes. Este novo artigo examina os impactos dessas políticas comerciais e como a história econômica demonstra a alternância entre momentos de abertura e restrição no comércio global.
2. Guerra Comercial versus Livre Comércio
A teoria do livre comércio tem raízes profundas na obra-prima A Riqueza das Nações (1776) de Adam Smith (1723-1790), que defendeu a divisão do trabalho e as vantagens comparativas absolutas como motores do crescimento econômico de uma nação. O século XX viu a ascensão de instituições como a Organização Mundial do Comércio (OMC), de 1995, e a proliferação de acordos multilaterais que consolidaram esse modelo, culminando na globalização da economia.
No entanto, crises econômicas, desigualdade econômica e disputas geopolíticas têm frequentemente reacendidas o debate sobre a necessidade de políticas protecionistas. Um exemplo recente é a guerra comercial declarada em 1 de fevereiro de 2025, com a decisão protecionista do presidente dos Estados Unidos da América (EUA), o republicano Donald Trump, contra o Canadá e o México, com tarifas de 25%, e contra a China, com tarifas de 10%.
Além disso, em 2 de abril de 2025, tarifas de importação foram impostas contra 185 países, destacando o Lesoto e o Camboja, países pobres que sofreram com uma tarifa de 50% e 49%, respectivamente, imposta pelos EUA. Essas medidas protecionistas, inspiradas por uma visão nacionalista, buscam reduzir déficits comerciais dos EUA e fortalecer setores estratégicos, como o setor industrial, mas frequentemente resultam em retaliações, aumento do custo de bens e instabilidade nos mercados financeiros.
Em contraste, a experiência histórica demonstra que períodos de protecionismo tendem a ser seguidos por movimentos de reabertura econômica. A inauguração do World Trade Center em 4 de abril de 1973, em Nova York, simbolizou um momento de expansão do livre comércio, justamente o oposto da postura protecionista americana observada atualmente, após 52 anos.
É importante observar que as Torres Gêmeas do World Trade Center, a Torre Norte e a Torre Sul, ambas com 110 andares, eram administradas pela Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey, na época o maior porto do mundo, no qual circulavam mercadorias das nações do Primeiro Mundo (hoje, países desenvolvidos), liderados pelos EUA, os grandes defensores do livre mercado, como também, das nações do Terceiro Mundo (hoje, países emergentes), como o Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Índia, África do Sul, Angola, Egito, Nigéria e México, entre outros.
Um evento histórico que prevejo no cenário econômico global será a ascensão da China como a maior economia do mundo em 2026, superando os EUA em PIB nominal. A China já ultrapassou os EUA no PIB em termos de paridade de poder de compra (PPC). Essa mudança ocorrerá nos 250 anos da publicação de A Riqueza das Nações, de Adam Smith.
Curiosamente, em 1776, ano da publicação da obra-prima do pai da Economia e do Liberalismo Econômico, em Londres, a China já era a maior economia do planeta, reforçando a ideia de que a história econômica global segue ciclos de ascensão e declínio das grandes potências. Curiosamente, também em 1776, foi o ano da Declaração de Independência dos EUA, após lutar contra as tarifas altas do chá impostas pela sua rica ex-colônia, o Reino Unido (RU).
Quando Adam Smith publicou o seu segundo livro, a China era o país mais rico do mundo. No século XVIII, Smith (1983, p. 219) enfatizou, “Na China, país mais rico do que qualquer outro da Europa, o valor dos metais preciosos é muito maior do que em qualquer parte da Europa”.
Desde 2010, a China é a segunda maior economia do planeta, atrás apenas dos EUA. A China é conhecida mundialmente como a fábrica do mundo e caminha agora para ser o shopping center do planeta. A China ruma para ser a novamente a maior economia do planeta em 2026, nas comemorações alusivas aos 250 anos de A Riqueza das Nações.
Na República Popular da China, atualmente, o segundo país mais populoso do mundo, com 1,408 bilhão de habitantes em 2024, e o maior poluidor do planeta, e ao mesmo tempo, o maior investidor em energia limpa, a obra-prima de Adam Smith, é uma bíblia econômica nas mãos dos estudantes universitários nas universidades chinesas em Xangai, Pequim e Wuhan.
O filósofo e economista escocês Adam Smith, no Livro I, Capítulo VIII (número de sorte na China), escreveu: “A China foi por muito tempo um dos países mais ricos, isto é, um dos mais férteis, mais bem cultivados, mais industriosos e mais populosos do mundo”. As ideias liberais de Adam Smith mudaram o mundo em pleno século XVIII.
3. As Tarifas de Chá no Século XVIII
A disputa que culminou na independência dos EUA também teve suas raízes em questões econômicas relacionadas ao comércio colonial. No século XVIII, o RU impôs uma série de tarifas sobre os produtos consumidos pelas colônias americanas, com destaque para o chá. A Lei do Chá, de 10 de maio de 1773, concedia a Companhia das Índias Orientais o monopólio da venda de chá chinês para as colônias e estabelecia um imposto de 25% sobre o produto agrícola.
Os colonos americanos se opuseram veementemente a essas tarifas, uma vez que o Parlamento Britânico impunha impostos sem oferecer qualquer tipo de representação política nas decisões. O famoso slogan "sem tributação sem representação" ilustra bem a insatisfação que permeava a sociedade colonial. Esse descontentamento levou a um dos momentos mais emblemáticos da história americana: Boston Tea Party, em 16 de dezembro de 1773. Nesse evento, um grupo de colonos, disfarçados de nativos americanos, atirou 342 caixas de chá da Companhia das Índias Orientais no porto de Boston, como forma de protesto contra a Lei do Chá.
Esse episódio de resistência comercial contra as tarifas britânicas foi um marco importante na luta por maior autonomia política e econômica das 13 colônias, contribuindo para o movimento em direção à independência dos EUA. O combate às tarifas de chá foi, portanto, não apenas uma disputa econômica, mas também uma questão central da resistência contra o controle imperial e, sobretudo, da defesa do livre comércio, inspirado nas ideias de Adam Smith.
4. Lei Tarifária Smoot-Hawley em 1930
A Smoot-Hawley Tariff Act foi sancionada em 17 de junho de 1930 pelo presidente republicano Herbert Hoover, após o pronunciamento transmitido pelo rádio em 2 de abril do mesmo ano, no qual Hoover destacou a necessidade de proteção da indústria americana diante da crise econômica global. A Lei Tarifária Smoot-Hawley tornou-se um dos marcos mais significativos do protecionismo no século XX, com um impacto profundo na economia global.
Herbert Hoover foi presidente dos EUA de 4 de março de 1929 a 4 de março de 1933. Durante seu mandato, ele enfrentou a devastadora Crise de 1929, que mergulhou o país na Grande Depressão. Para combater os efeitos da retração econômica, Hoover adotou políticas econômicas que incluíam o aumento de impostos e a redução dos gastos públicos, acreditando que isso estimularia uma recuperação econômica. No entanto, essas medidas foram amplamente consideradas ineficazes e, em muitos casos, agravaram a situação econômica.
De acordo com o economista americano Jeremy Rifkin (1995, p. 26), “Em outubro de 1929, um pouco menos de um milhão de pessoas estavam desempregadas. Em dezembro de 1931, eram mais de dez milhões de americanos sem trabalho. Seis meses depois, em junho de 1932, o número de desempregados havia crescido para 13 milhões. O desemprego atingiu seu ponto máximo, com mais de 15 milhões de desempregados, no auge da depressão, em março de 1933”. As tarifas protecionistas e equivocadas provocam produtos mais caros, geram mais incertezas, e, consequentemente, destroem o nível de emprego no país.
O Congresso dos EUA, liderado pelos senadores republicanos Reed Smoot e Willis Hawley, aumentou tarifas sobre mais de 20.000 produtos importados, com o objetivo de proteger as indústrias americanas durante a Grande Depressão. O resultado imediato foi o aumento das tarifas de importação de diversos bens, mas os efeitos globais foram catastróficos.
A medida protecionista desencadeou uma reação em cadeia de retaliações de outros países, que elevaram suas próprias tarifas sobre os produtos dos EUA, resultando em uma queda abrupta do comércio internacional. A crise econômica global se aprofundou, e economistas apontam a Lei Tarifária Smoot-Hawley como um dos fatores que exacerbaram a Grande Depressão.
Estudos demonstram que as tarifas protecionistas aumentaram as dificuldades econômicas nos países em desenvolvimento, que dependiam do comércio internacional, além de estimular o isolamento econômico. A reação contra essas políticas foi uma das catalisadoras da criação de instituições internacionais no pós-Segunda Guerra Mundial (1939-1945), como o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), de 1947, que mais tarde evoluiu para a OMC, buscando evitar os danos do protecionismo exacerbado.
Portanto, os impactos da Lei Tarifária Smoot-Hawley não se limitaram aos EUA, ao vizinho Canadá, mas teve repercussões globais duradouras. As tarifas reforçaram a ideia de que o protecionismo excessivo pode ser prejudicial tanto para os países envolvidos quanto para a economia mundial como um todo, sugerindo que, em tempos de crise econômica, os países devem buscar soluções colaborativas, em vez de políticas isolacionistas.
5. A Guerra Comercial Começou em 2025 e Quando Terminará?
Direto da terra onde o sol nasce primeiro nas Américas, a minha pergunta é: A guerra comercial começou em 2025 e quando terminará? A resposta a essa relevante questão depende de diversos fatores, como mudanças políticas, evolução das relações diplomáticas e adaptação dos países ao protecionismo.
Segundo a história econômica, guerras comerciais tendem a se intensificar até atingirem um ponto de inflexão, quando os prejuízos econômicos superam os benefícios políticos. Portanto, o protecionismo no sistema de comércio internacional, embora possa trazer ganhos temporários para setores específicos, como o setor industrial, gera distorções que, a longo prazo, pressionam governos e empresas a buscar soluções negociadas.
5.1 Fatores que Podem Influenciar o Término da Guerra Comercial
Mudanças políticas internas nos países envolvidos na guerra comercial. O resultado de uma guerra comercial muitas vezes depende da pressão interna dentro de um país, seja do setor empresarial, consumidores ou até mesmo de líderes políticos que enfrentam dificuldades econômicas internas devido às consequências do protecionismo. Quando os custos econômicos começam a superar os benefícios políticos, o país pode optar por terminar a guerra comercial.
O aumento da inflação nos EUA, no Canadá e em outros países. Um dos principais impactos da guerra comercial é a inflação, devido o aumento das tarifas sobre bens importados. As tarifas impostas pelos EUA de 25% sobre os carros importados, elas aumentam o custo dos produtos importados. Esses aumentos de custos são frequentemente repassados para os consumidores, resultando em uma elevação geral dos preços de bens.
A economia americana, sendo uma grande consumidora de produtos estrangeiros, enfrentará uma pressão inflacionária devido ao aumento de preços de bens, desde eletrônicos a alimentos e carros. A imposição de tarifas sobre importações de países como China, Brasil e México gerará um aumento nos preços dos bens produzidos, o que, por sua vez, se refletirá nos preços internos.
No Canadá, o segundo maior parceiro comercial dos EUA, sofrerá com as tarifas de 25%, principalmente em setores como o automotivo, agrícolas e de tecnologia. Além disso, como o Canadá depende do mercado norte-americano, o aumento dos custos de produção pode resultar em uma elevação no preço dos produtos vendidos no mercado interno.
Na minha singela opinião, o Canadá poderia, de fato, acelerar a negociação de um acordo de livre comércio com o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), considerando os potenciais benefícios mútuos de tal parceria. Essa relevante colaboração tem o poder de fortalecer laços comerciais e impulsionar as economias dos países do continente americano envolvidos.
Em outros países, cujos produtos enfrentam tarifas elevadas de importação, como os países asiáticos (por exemplos, Camboja, Vietnã e Tailândia), eles também lidam com os custos mais altos de exportação para os EUA. Quando as tarifas se tornam excessivamente altas, cria-se uma espiral de aumentos nos custos de produtos e, por conseguinte, no aumento da inflação.
Mudanças nas relações diplomáticas. A negociação e os acordos multilaterais, como os que ocorreram ao longo da história (como a Rodada Uruguai entre 1986 e 1993), podem ser um ponto de inflexão. A pressão por acordos de livre comércio pode crescer à medida que os países desenvolvidos, emergentes e pobres reconhecem a necessidade de aliviar tensões comerciais e restaurar o fluxo de bens nos portos, aeroportos, postos rodoviários e estações ferroviárias.
Custo de produção crescente. Uma guerra comercial prolongada tende a aumentar os custos de produção e reduzir a competitividade global. Isso pode levar os países a reconsiderar suas tarifas à medida que a economia global tem custos de produção crescente.
Tarifas recíprocas dos EUA são absurdas. Em um movimento altamente controverso, o presidente Trump, divulgou uma tabela que estabelece tarifas recíprocas sobre as importações de 185 países. O objetivo dessas tarifas, em sua maior parte, é reduzir os déficits comerciais dos EUA, mas, ao mesmo tempo, essas tarifas podem resultar em tensões econômicas significativas e um aumento nos preços dos bens para os consumidores nos EUA e no mundo.
A partir de 5 de abril de 2025, os produtos importados de países como Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Arábia Saudita, Singapura, Marrocos, Austrália, Nova Zelândia, RU e Turquia, entre outros, estarão sujeitos a uma tarifa de 10%. Esse conjunto de tarifas representa uma elevação significativa nas barreiras comerciais entre os EUA e essas nações desenvolvidas e emergentes, criando um cenário de incerteza econômica e possíveis retaliações comerciais.
No entanto, o impacto mais grave recai sobre os países asiáticos, que terão tarifas recíprocas mais elevadas. A partir de 9 de abril de 2025, tarifas de 49% serão impostas ao Camboja, 46% ao Vietnã, 37% ao Bangladesh, 36% à Tailândia, 34% à China e às Filipinas; 32% à Taiwan, 26% à Índia, 25% à Coreia do Sul; e 24% ao Japão e à Malásia. Essas tarifas altas têm o potencial de prejudicar consideravelmente as economias desses países da Ásia, principalmente aqueles que dependem de exportações para os EUA para sustentar suas indústrias e empregos.
É preciso revelar que a União Europeia (UE) será impactada também com 20% de tarifas recíprocas e os 27 países membros da UE terão sérios problemas econômicos, e, provavelmente, a recessão mundial começará em uma das vinte e sete economias da UE, que já vêm sofrendo com os sérios impactos econômicos com a Guerra da Ucrânia desde 24 de fevereiro de 2022. As quedas das exportações da UE para os EUA provocaram falências e desemprego.
As tarifas injustificadas de Trump não atingiram a Rússia, que foi excluída do Liberation Day, em Washington. Essas tarifas recíprocas são parte de uma estratégia de America First, que busca corrigir, segundo Trump, o déficit comercial com várias nações. No entanto, a natureza dessas tarifas levanta questões sobre os danos colaterais para a economia global. Embora as tarifas possam trazer ganhos momentâneos para setores específicos da economia americana, como a indústria de manufaturas, elas podem desencadear uma série de efeitos adversos a longo prazo, como o aumento da inflação, o enfraquecimento da competitividade global e o risco de uma guerra comercial ainda mais ampla em plena 4ª Revolução Industrial, além de recessão.
Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Amanhã, os produtos brasileiros exportados, como o café (exportado desde o século XIX), óleos de petróleo, pastas químicas de madeira (utilizadas na fabricação de papel), açúcar, suco de laranja concentrado e congelado, carne bovina e aviões, serão taxados por 10%. Já o aço e o alumínio já são cobrados 25%.
Tarifas retaliatórias isolam os EUA do comércio internacional. O presidente Donald Trump ressaltou o pensamento do Make America Great Again (MAGA), nos jardins da Casa Branca, em Washington: “Este é um dos dias mais importantes, na minha opinião, na história americana. É nossa declaração de independência econômica”. Já estão valendo, desde 2 de abril de 2025, no Liberation Day, as tarifas de 25% sobre os carros importados pelos EUA. A população americana diminuirá o consumo de bens importados com repercussão na economia mundial.
Paul Krugman, economista americano e Prêmio Nobel de Economia de 2008, por suas pesquisas sobre comércio internacional e geografia econômica, recentemente, em entrevista pela Bloomberg Television, ele enfatizou os impactos negativos das tarifas impostas em uma guerra comercial: "Sunddenly, you’re going to put 25% tariffs on all of this. And that’s really, really destructive". Para Krugman, as tarifas não apenas elevam os preços para os consumidores, mas também criam ineficiências econômicas, distorcendo os mercados e prejudicando a competitividade global. Essa perspectiva se alinha com as lições da história econômica, que demonstram que o protecionismo pode gerar mais danos do que benefícios a longo prazo.
6. Considerações Finais
Finalizando, a dicotomia entre guerra comercial e livre comércio continua na economia mundial. Cada período histórico apresenta desafios e oportunidades que moldam a escolha entre protecionismo e abertura econômica. Embora tarifas comerciais possam oferecer ganhos imediatos para certos setores, a longo prazo, a inovação, a competitividade e o crescimento econômico sustentável dependem de um ambiente de trocas livres e abertas de mercadorias.
Por fim, hoje, eu compreendo que a guerra comercial vai terminar quando os EUA recuperarem a sua força econômica pela MAGA ou perderem pela primeira vez a posição de país mais rico do mundo para a China. Eu penso que a guerra comercial de Trump é estúpida e jamais o Canadá será anexado pelos EUA como o 51º estado americano. Eu sou favor do livre mercado! Viva Adam Smith! Vive le Canada! Free Trade Forever!
(*) Economista brasileiro, conselheiro efetivo do CORECON-PB, diretor secretário do Fórum Celso Furtado de Desenvolvimento da Paraíba e apresentador do Programa Economia em Alta na Rádio Alta Potência. Contatos para entrevistas e palestras pelo WhatsApp: +55 (83) 98122-7221.