Uma revolução silenciosa no turismo está em curso no Canadá, e a culpa é de Donald Trump.
Impulsionados por tensões políticas e uma onda de patriotismo, os canadenses estão abandonando suas tradicionais viagens para os Estados Unidos, injetando milhões de dólares em sua própria economia e gerando um crescimento recorde para o setor de turismo doméstico.
Uma nova pesquisa da Moneris revela dados surpreendentes: mais de um quarto dos canadenses alterou seus planos de viagem para evitar cruzar a fronteira.
O resultado é um boom econômico: o turismo doméstico cresceu em mais de 30%, elevando a economia canadense em milhões de dólares por dia.
O declínio nas viagens para os EUA não é um fenômeno isolado, mas uma tendência que se aprofunda a cada mês. Pelo sétimo mês consecutivo, o fluxo de canadenses para o país vizinho caiu drasticamente, tanto por ar quanto por via terrestre.
O levantamento da Angus Reid, comissionado pela Moneris, detalha que 26% dos canadenses simplesmente cancelaram ou adiaram suas viagens para o país do sul.
Essa mudança de comportamento tem um impacto direto e positivo em hotéis, restaurantes e comércios locais. Conforme Sean McCormick, da Moneris, o turismo doméstico se tornou um "motor de gastos enorme" para a economia. Os números não mentem:
O impacto financeiro é visível em todo o país. Os gastos interprovinciais aumentaram 5% em um ano. Os territórios registraram um salto de 10% nos gastos, enquanto Alberta e Saskatchewan cresceram 9% e 6%, respectivamente.
Moira A. McDonald, especialista em turismo da Royal Roads University, destaca o simbolismo do movimento. "Os canadenses agiram e realmente 'falou' com suas ações", afirmou, aplaudindo a decisão de apoiar a economia local. Ela ressalta que o mercado de turismo nos EUA está em "maior declínio", não apenas em viagens individuais, mas também em grandes eventos como conferências e viagens escolares.
Enquanto a indústria turística do Canadá prospera, com a necessidade de mais profissionais qualificados, a tendência de evitar os EUA deve continuar enquanto as tensões políticas persistirem.
No entanto, a nova preferência por destinos internos não significou um isolamento completo. A pesquisa também apontou um aumento nas viagens dos canadenses para o México, a América do Sul e a Europa, mostrando que, apesar de boicotarem o vizinho, a sede por viagens internacionais ainda se mantém forte.
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