Trump retoma retórica do "51º Estado"

O primeiro-ministro Mark Carney teve várias ligações com o presidente dos EUA nos últimos meses, mas tem mantido sigilo sobre o conteúdo dessas conversas.

Por Júnior Mendonça-
5 Min

Trump retoma retórica do "51º Estado"
Foto: Andrew Harnik/The Associated Press

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a falar sobre a anexação do Canadá durante um discurso inédito para os principais líderes militares nesta terça-feira.

O presidente falava sobre os seus planos de defesa antimísseis, chamados de "Cúpula Dourada" (“Golden Dome”), diante de oficiais que foram convocados às pressas de seus postos ao redor do mundo para Quantico, perto de Washington.

"O Canadá me ligou há algumas semanas, eles querem fazer parte, ao que eu disse: 'Bem, por que vocês não se juntam ao nosso país? Vocês se tornam o 51º... o 51º estado... e o têm de graça’", disse Trump aos oficiais reunidos.

"Então, eu não sei se isso causou um grande impacto, mas faz muito sentido."

 

Leia Também

 

Trump também alegou que o Canadá está passando por "dificuldades" porque "como sabem, com as tarifas, todo mundo está vindo para o nosso país." O presidente se gabou, em seguida, do investimento que estaria deixando o Canadá e outros países e migrando para os Estados Unidos, citando as fábricas de automóveis.

Trump passou meses fazendo repetidamente declarações sobre anexar o Canadá e chegou a cogitar usar a força econômica para dominar o país. Recentemente, ele parecia ter diminuído o tom dessa retórica, à medida que Ottawa procurava reduzir as tensões no relacionamento bilateral e o presidente voltava sua atenção para outras partes do mundo.

O primeiro-ministro Mark Carney teve diversas conversas por telefone com Trump nos últimos meses, mas tem mantido sigilo sobre o conteúdo delas.

 

Tarifas e concessões canadenses

Carney suspendeu o imposto canadense sobre serviços digitais em junho, depois que Trump ameaçou interromper as negociações comerciais como protesto à medida. A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou mais tarde que "o Canadá cedeu ao Presidente Trump e aos Estados Unidos da América."

Dois meses depois, Carney retirou algumas tarifas de retaliação sobre produtos dos EUA para igualar as isenções tarifárias americanas para mercadorias cobertas pelo Acordo Canadá-Estados Unidos-México, mais conhecido como CUSMA. Isso ocorreu após Carney falar com Trump por telefone, quando o presidente o teria garantido que a medida ajudaria a impulsionar as negociações comerciais.

Apesar dos esforços de Ottawa para apaziguar a administração Trump, nenhum acordo se concretizou para aliviar a pressão sobre as indústrias canadenses, que estão sendo duramente atingidas pelas tarifas.

Em agosto, Trump impôs ao Canadá tarifas de 35% sobre mercadorias que não estavam em conformidade com o CUSMA. O Canadá também está sendo penalizado por tarifas de Trump sobre aço, alumínio, automóveis e cobre.

 

Leia Também

 

A ameaça iminente de tarifas sobre a madeira (lumber) também deve atingir a indústria canadense. Trump assinou nesta semana uma ordem executiva que estabelece uma tarifa de 10% sobre madeira serrada e folheada estrangeira, e uma tarifa de 25% sobre armários de cozinha, toucadores e móveis estofados de madeira, com início em 14 de outubro. O Departamento de Comércio dos EUA já havia aumentado as tarifas compensatórias e antidumping sobre a madeira canadense no início do ano.

O Gabinete do Primeiro-Ministro não se pronunciou sobre o discurso de Trump nesta terça-feira.

Carney se reuniu com Trump na Casa Branca em maio e disse ao presidente que o Canadá jamais se tornaria um estado americano.

O primeiro-ministro afirmou que discussões de alto nível estão em andamento com os EUA sobre o programa Cúpula Dourada. Inicialmente, Trump havia dito que custaria US$ 61 bilhões para o Canadá participar, e depois aumentou esse valor para US$ 71 bilhões.

Trump se gabou do sistema de defesa planejado — que seria baseado no Iron Dome (Cúpula de Ferro) de Israel — durante seu discurso abrangente na frente de centenas de altos oficiais militares.

Trump, que está acostumado a plateias barulhentas em seus comícios, não obteve muita reação dos oficiais militares. Em respeito à tradição apartidária das Forças Armadas dos EUA, a plateia militar permaneceu em grande parte em silêncio durante o discurso.

O Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, convocou os líderes militares de todo o mundo à base do Corpo de Fuzileiros Navais em Quantico nesta terça-feira para ouvi-lo fazer um discurso criticando as políticas "woke".


FONTE: Redação North News com informações The Canadian Press

• Acompanhe o North News em todas as plataformas •
Facebook
Canal no Whatsapp
X
Instagram (perfil principal)
Instagram (perfil secundário devido aos bloqueios da Meta)
Threads
Grupo no Whatsapp

  • Ir para GoogleNews
Tags »
Notícias Relacionadas »