Canadenses estão deixando de pagar contas para comprar comida

Comer ou pagar as contas? Pesquisa Nanos revela que 20% dos canadenses, especialmente os mais jovens, enfrentam essa dura escolha no dia a dia

Por Júnior Mendonça-
4 Min

Canadenses estão deixando de pagar contas para comprar comida
Foto: Chris Young/The Canadian Press

Uma nova pesquisa da Nanos para a CTV News revela um dado alarmante: no último ano, um a cada cinco canadenses precisou deixar de pagar uma fatura para conseguir comprar alimentos.

O estudo destacou que pessoas com menos de 55 anos são quatro vezes mais propensas a atrasar pagamentos essenciais – como o do carro, do cartão de crédito ou da conta de luz – para priorizar a comida. Em Charlottetown, maior cidade da Ilha do Príncipe Eduardo, a pressão é sentida nas ruas.

Moradores locais confirmam o aperto. “Telefone, aluguel, compras, seguro do carro, combustível. Tudo se acumula”, desabafa Almas Patel, 23. Seu amigo, Matthew Batunde, 29, concorda: “Quanto mais os preços sobem, mais afeta nossas contas diárias.” Outros, como Nick, 24, dizem que priorizam as contas, mas, para isso, precisam "caçar" o máximo de promoções possível no supermercado.

A divisão por idade é nítida nos dados da Nanos: 18,1% dos jovens (18-34 anos) e 17,9% do grupo de meia-idade (35-54) admitiram pular o pagamento de contas. Esse índice despenca para apenas 4,2% entre pessoas com 55 anos ou mais.

 

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Nik Nanos, cientista-chefe de dados, aponta a inflação e o alto custo da moradia como os vilões dessa divisão geracional. “É impressionante. Em outro contexto, isso seria uma epidemia”, afirma Nanos, ressaltando a proporção de canadenses diante de “escolhas muito difíceis”.

Ele explica que canadenses mais velhos geralmente estão em posição financeira mais sólida e segura. Muitos não têm mais hipotecas (ou pagam valores baixos), contam com pensões ou investimentos, e frequentemente não têm mais filhos em casa. Em contraste, "jovens e pessoas de meia-idade com famílias se preocupam com o aumento do aluguel ou da moradia, e com a instabilidade no emprego.”

A análise regional também expõe grandes disparidades. As províncias do Atlântico lideram a estatística negativa, com 24,2% dos entrevistados admitindo pular contas. A taxa é significantemente mais alta que nas Pradarias (16,5%), Colúmbia Britânica (13,4%), Ontário (10,5%) e Quebec (8,1%).

Embora a amostragem no Canadá Atlântico seja menor (o que pode influenciar os números), Joshua Smee, da organização Food First NL, diz que os dados batem com outras pesquisas locais. Ele nota que, nas quatro províncias da região, mais de 25% da população relata insegurança alimentar. Isso é impulsionado por fatores como o desemprego cronicamente mais alto que no resto do país e uma maior dependência de programas de assistência social.

Smee argumenta que a solução é conhecida, mas o Canadá precisa parar de tratar a fome como um "problema de caridade". Bancos de alimentos, embora necessários, são apenas soluções paliativas.

“O principal é colocar mais dinheiro nos bolsos das pessoas de baixa renda”, defende, citando o Benefício Infantil do Canadá e o aumento do salário mínimo como medidas eficazes – já que muitos que trabalham em tempo integral ainda enfrentam dificuldades para se alimentar e pagar as contas.

A pesquisa não mostrou diferença estatística significativa entre gêneros: 12% dos homens e 12,6% das mulheres relataram ter pulado o pagamento de contas.


FONTE: Redação North News com informações CTV News e Nanos Research

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